Na tarde desta terça-feira (09), o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força de uma sessão da Câmara dos Deputados após ocupar a cadeira da Mesa Diretora. A transmissão da TV Câmara foi interrompida e jornalistas foram retirados do plenário.
Na rede social X, Hugo Motta, presidente da Câmara, comentou sobre o caso. Ele começou: “Quando o deputado Glauber Braga ocupa a cadeira da Presidência da Câmara para impedir o andamento dos trabalhos, ele não desrespeita o presidente em exercício. Ele desrespeita a própria Câmara dos Deputados e o Poder Legislativo”.
Ele ainda acrescentou: “O extremismo não tem lado porque, para o extremista, só existe um lado: o dele”. Por fim, o presidente da Câmara ainda afirmou que determinou a apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da impressa.
Quando o deputado Glauber Braga ocupa a cadeira da Presidência da Câmara para impedir o andamento dos trabalhos, ele não desrespeita o presidente em exercício. Ele desrespeita a própria Câmara dos Deputados e o Poder Legislativo. Inclusive de forma reincidente, pois já havia…
— Hugo Motta (@HugoMottaPB) December 9, 2025
Posteriormente, Hugo Motta também faz um discurso sobre o episódio. Confira na íntegra:
“Hoje, infelizmente, vimos um episódio que nunca deveria ocorrer no Parlamento brasileiro.
Quando o deputado Glauber Braga ocupa a cadeira da Presidência da Câmara para impedir o andamento dos trabalhos, ele não desrespeita o presidente em exercício.
Ele desrespeita a própria Câmara dos Deputados. Ele desrespeita o Poder Legislativo. E o faz, inclusive, de forma reincidente, após já ter ocupado uma comissão por mais de uma semana em um ato extremo que não encontra amparo no regimento, nem na liturgia do cargo.
A cadeira da Presidência não pertence a mim. Ela pertence à República. Pertence à democracia. Pertence ao povo brasileiro.
E nenhum parlamentar está autorizado a transformá-la em instrumento de intimidação, espetáculo ou desordem.
Deputado pode muito, mas não pode tudo. Na democracia, ele pode tudo dentro da lei e dentro do regimento. Fora disso, não é liberdade: é abuso.
O presidente da Câmara não é responsável pelos atos que levaram determinadas cassações ao plenário.
Mas é, sim, responsável por garantir o rito, a ordem e o respeito à instituição. E eu não permitirei que regras sejam rasgadas ou que a Câmara seja aviltada.
Há um equívoco grave na postura de quem acredita que democracia só existe quando o resultado lhe agrada.
Quem se diz defensor da democracia, mas agride o funcionamento das instituições, vive da mesma lógica dos extremistas que tanto critica.
O extremismo não tem lado porque, para o extremista, só existe um lado: o seu. E quem só enxerga o próprio lado nega o outro, nega o debate, nega o pluralismo, e acaba negando a própria democracia.
A Câmara não se curvará a esse tipo de conduta. Nem hoje, nem nunca. A minha obrigação, como presidente desta Casa, é proteger o Parlamento.
E foi isso que fiz ao seguir rigorosamente os protocolos de segurança e o regimento interno. O ato da mesa número 145, em seu artigo 7º é claro:
O ingresso, a circulação e a permanência nos edifícios e locais sob responsabilidade da Câmara dos Deputados estarão sujeitos à interrupção ou à suspensão por questão de segurança.
Determinei, ainda, a apuração de todo e qualquer excesso cometido contra a cobertura da imprensa.
A minha obrigação é proteger a democracia do grito que cala, do gesto autoritário disfarçado de protesto, da intimidação travestida de ato político.
E é isso que continuarei a fazer: garantir que divergências se expressem com voz, não com vandalismo institucional; com argumento, não com agressão simbólica; com voto, não com invasão da Mesa.
Hoje ficou claro: quem tentou humilhar o Legislativo, humilhou a si mesmo.
Quem tentou fechar portas ao diálogo, escancarou a própria intolerância. E quem tentou afrontar a Câmara, encontrou uma instituição firme, serena e inegociável.
O extremismo testa a democracia todos os dias. E todos os dias a democracia precisa ser defendida. É isso que estou fazendo. É isso que continuarei a fazer. Porque nenhum deputado é maior do que esta Casa. Mas esta Casa é maior do que qualquer extremismo.”

