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Justiça

PF suspeita que Sóstenes e Jordy usaram notas frias para desviar cota parlamentar

Polícia Federal encontrou movimentações financeiras suspeitas de assessores ligados aos deputados

Jordy defende CPMI do Banco Master e diz haver ambiente para impeachment no STF

O relatório da Polícia Federal usado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, para autorizar busca e apreensão contra assessores do PL e os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante levanta suspeitas sobre as cotas parlamentares dos dois políticos terem sido usadas para pagar contratos fraudulentos com uma locadora de carros sem estrutura para funcionar.

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A investigação da PF descobriu movimentações financeiras atípicas de Adailton Oliveira Santos, assessor de Sóstenes na liderança do PL no Câmara dos Deputados, que somam R$ 11,4 milhões entre 2023 e 2024. A PF diz que o valor é “totalmente incompatível” com o patrimônio declarado por Santos.

Segundo a PF, Itamar de Souza Santana, secretário de Carlos Jordy, movimentou cerca quase R$ 6 milhões — o período em que os valores foram transferidos ou recebidos não foi detalhado na decisão de Dino. Desse total, dizem os investigadores, R$ 75,3 mil foram enviados a Jordy pelo assessor em 63 transferências.

A PF apresentou ainda mensagens de texto em que Adailton e Sóstenes Cavalcante discutem como “ajustar” as contas. Em um dos episódios, o assessor orienta o deputado a baixar o valor de um contrato de locação com a empresa Amazon para R$ 8 mil.

A mudança, segundo a Polícia Federal, serviu para garantir margem dentro do teto da cota parlamentar (cerca de R$ 12,7 mil), para que o restante fosse pago à Harue, empresa que supostamente loca veículos e que mudou de nome para Alfa Car após o início das investigações. A PF suspeita que essa manobra maximizou o desvio, enquanto veículos oficiais, como um Toyota Corolla Cross blindado, eram usados pela filha de Sóstenes.

Agora, a PF quer saber se os valores pagos por Jordy e Sóstenes à Harue voltaram, de forma lavada, para as mãos dos parlamentares ou se ficaram retidos com os operadores para custear outras atividades políticas.

Confira um resumo sobre os investigados no caso:

InvestigadoTotal Recebido (Créditos)*** Total Repassado (Débitos)***Medida Autorizada por Flávio Dino***Adailton Oliveira SantosR$ 11.491.410,77R$ 11.486.754,58Afastamento do sigilo bancário e fiscalAndrea de Figueiredo DesideratiR$ 6.602.061,14R$ 6.690.329,17Afastamento do sigilo bancárioItamar de Souza SantanaR$ 5.907.578,17R$ 5.901.138,68Afastamento do sigilo bancárioFlorenice de Souza SantanaR$ 3.932.991,67R$ 3.945.179,16Afastamento do sigilo bancárioRosileide de Souza Santana RochaR$ 702.270,12R$ 702.270,12*Afastamento do sigilo bancárioCarlos JordyR$ 214.000,00**–Quebra de sigilo de assessores e empresas vinculadasSóstenes CavalcanteR$ 192.400,00**–Quebra de sigilo de assessores e empresas vinculadas*Valor aproximado com base no fluxo de créditos identificados.**Valores referentes ao total pago pelos parlamentares à Harue/Alfa Car nos últimos 5 anos.*** Informações coletadas a partir da decisão de Flávio Dino

Carlos Jordy nega qualquer irregularidade. Sóstenes e o PL ainda não se manifestaram.

Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todos os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.