Uma publicação feita no X (antigo Twitter) pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) trouxe novamente ao debate público a acareação determinada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master.
A postagem foi feita em 24 de dezembro de 2025, às 15h31, e comenta, de forma irônica, o fato de a audiência ter sido marcada para 30 de dezembro, período tradicional de recesso do Judiciário. No texto, o senador chama atenção para o fato de a diligência não ter sido solicitada pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República, órgãos que normalmente conduzem esse tipo de investigação.
Juiz marcar acareação no dia 30/12, em pleno recesso, sem provocação do MP ou PF, é a coisa mais comum do mundo. O despacho casual no jatinho e o contrato milionário da esposa do colega certamente não têm nenhuma relação com essa decisão. É só Natal Master https://t.co/Dc1pkq6GJJ
— Alessandro Vieira (@_AlessandroSE) December 24, 2025
O que está por trás da crítica de Vieira?
Na mensagem publicada, o parlamentar demonstra estranhamento com a condução do processo, sobretudo pelo momento escolhido e pela origem da decisão.
Segundo a CNN Brasil, a acareação foi determinada diretamente por Toffoli e será realizada por videoconferência, reunindo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central.
De acordo com O Globo, investigadores ouvidos reservadamente avaliam que a realização da acareação antes dos depoimentos individuais foge do procedimento mais comum em apurações criminais.
Ainda segundo o jornal, há receio de que a medida cause constrangimento a testemunhas e interfira na coleta de informações.
O que é acareação?
A acareação é um instrumento usado quando pessoas envolvidas em um caso apresentam relatos divergentes sobre os mesmos fatos. Elas são colocadas frente a frente para esclarecer essas diferenças.
Em geral, esse tipo de audiência ocorre após cada envolvido prestar depoimento separadamente. Especialistas citados pela CNN Brasil explicam que, quando realizada muito cedo, a acareação pode gerar desconforto e dificultar o avanço natural da investigação.
O caso do Banco Master
Como noticiado pelo O BrasilIanista, o Banco Master é alvo de apuração por suspeita de negociar ativos financeiros sem lastro, conhecidos como “títulos podres”, que teriam sido vendidos a outras instituições, incluindo o BRB. O prejuízo estimado gira em torno de R$ 12 bilhões.
A PF e o Ministério Público Federal (MPF) investigam um esquema que movimentou cerca de R$ 17 bilhões em operações fraudulentas. Daniel Vorcaro, dono do Master, é acusado de usar empresas de fachada e os chamados laranjas para vender títulos podres a fundos públicos e privados.
Ele chegou a ser preso em 18 de novembro, mas foi solto posteriormente por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Essas transações expandiram as suspeitas de fraudes no Distrito Federal para diversos estados, como Rio de Janeiro e Bahia.

