A China iniciou nesta segunda-feira (29) seus exercícios militares conjuntos mais extensos em torno de Taiwan, batizados, segundo a CNN Brasil, de “Missão Justiça 2025”. As manobras envolvem forças navais, aéreas e unidades de mísseis, com uso de munição real.
O objetivo declarado é demonstrar a capacidade de Pequim de isolar Taiwan de apoios externos em um eventual conflito, além de testar a atuação integrada das Forças Armadas chinesas. As informações são da agência Reuters.
O que significa “exercício militar com fogo real”?
Segundo a Reuters, exercícios com fogo real indicam que armamentos operacionais são utilizados durante os treinamentos, e não apenas simulações. Isso inclui disparos de mísseis, manobras de navios de guerra e voos de aeronaves de combate em áreas próximas à ilha.
Esses treinamentos são usados para avaliar prontidão, coordenação entre tropas e capacidade de resposta em cenários de crise.
Por que Taiwan é reivindicada pela China?
De acordo com a BBC News, a China sustenta a política de “uma só China”, segundo a qual Taiwan é uma província separatista que deve voltar ao controle de Pequim.
Essa posição remonta a 1949, quando a guerra civil chinesa levou o governo nacionalista derrotado a se refugiar na ilha, enquanto os comunistas assumiram o poder no continente.
Taiwan se vê como um país independente, com Constituição própria, eleições democráticas e forças armadas. O governo local afirma que apenas a população da ilha pode decidir seu futuro político.
Histórico de crises e exercícios anteriores
China e Taiwan estiveram perto de confrontos armados diversas vezes desde 1949. O último confronto militar direto de grande escala ocorreu em 1958, quando forças chinesas bombardearam por mais de um mês as ilhas de Kinmen e Matsu, controladas por Taiwan.
Em 1996, antes da primeira eleição presidencial direta em Taiwan, a China realizou testes de mísseis próximos à ilha. Já em agosto de 2022, após a visita de Nancy Pelosi a Taipei, Pequim lançou mísseis balísticos que sobrevoaram áreas próximas à capital taiwanesa.
Escalada recente das manobras
Em abril de 2023, a China realizou exercícios simulando bloqueio da ilha e ataques de precisão após um encontro entre a então presidente de Taiwan e autoridades americanas. Em agosto de 2023, novas manobras foram lançadas como “aviso sério” a movimentos separatistas.
Já em maio de 2024, Pequim promoveu exercícios chamados de “Espada Conjunta + 2024A”, seguidos por outra rodada em outubro de 2024, quando Taiwan relatou o uso de um número recorde de aeronaves militares chinesas. Em abril de 2025, ocorreu o exercício “Trovão do Estreito-2025”.
Reação de Taiwan
O governo de Taiwan elevou o nível de vigilância de suas forças armadas, monitorando de perto a movimentação de aviões e navios chineses. Autoridades locais afirmam que a repetição dessas manobras aumenta o risco de incidentes não intencionais em áreas com intenso tráfego civil.
Países da região, como Japão e Austrália, acompanham a situação, enquanto os Estados Unidos mantêm a política oficial de “uma só China”, mas continuam fornecendo armamentos defensivos a Taiwan.
Importância estratégica e econômica de Taiwan
De acordo com a BBC News, Taiwan ocupa posição central na economia global por concentrar grande parte da produção mundial de semicondutores.
A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) responde por mais de 50% do mercado global de chips, usados em celulares, computadores, automóveis e equipamentos militares.
A CNN destaca que essas manobras anunciadas devem provocar ajustes na malha aérea, com impacto estimado em mais de 100 mil passageiros de voos internacionais e cerca de 6 mil passageiros em rotas domésticas.
Taiwan integra a chamada primeira cadeia de ilhas, considerada estratégica para a presença militar dos Estados Unidos no Pacífico Ocidental.
Conforme apurado pelo Valor Econômico, a realização dessas manobras recordes consolida a questão taiwanesa como um dos principais focos de tensão geopolítica do sistema internacional, com implicações diretas para cadeias globais de suprimentos, comércio internacional e equilíbrio de poder no século XXI.

