Neste domingo (04), a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, tornou pública uma carta endereçada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual defende diálogo direto entre os dois países e propõe a construção de uma “agenda de cooperação”.
A iniciativa ocorre um dia após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar norte-americana. No texto, Delcy afirma que a Venezuela busca viver sem ameaças externas e pede que Washington evite uma escalada armada.
A dirigente também sustenta que qualquer relação bilateral deve respeitar a soberania dos países e as regras do direito internacional. As informações são do portal G1.
Leia na íntegra:
“A Venezuela reafirma sua vocação de paz e de convivência pacífica. Nosso país aspira viver sem ameaças externas, em um ambiente de respeito e cooperação internacional. Acreditamos que a paz global se constrói garantindo primeiro a paz de cada nação.
Consideramos prioritário avançar para um relacionamento internacional equilibrado e respeitoso entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da Região, baseado na igualdade soberana e na não ingerência. Esses princípios orientam nossa diplomacia com o restante dos países do mundo.
Estendemos o convite ao governo dos EUA para trabalharmos conjuntamente em uma agenda de cooperação, voltada ao desenvolvimento compartilhado, no marco da legalidade internacional e que fortaleça uma convivência comunitária duradoura.
Como Delcy assumiu o comando?
Delcy Rodríguez teve sua autoridade reconhecida pelas Forças Armadas Nacionais Bolivarianas após a retirada forçada de Maduro do país.
Segundo apuração do O Brasilianista, o alto comando militar divulgou nota oficial apoiando a posse interina como forma de evitar um vazio de poder e preservar a ordem constitucional. Um dia antes, a Suprema Corte da Venezuela autorizou a transição com base na Constituição, que prevê a substituição temporária do chefe do Executivo em caso de ausência.
Prisão de Maduro e acusações nos EUA
De acordo com O Brasilianista, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados na madrugada do último sábado (03) e levados para os Estados Unidos.
A procuradora-geral dos EUA, Pamela Bondi, informou que ambos foram indiciados no Distrito Sul de Nova Iorque por acusações como conspiração para narcoterrorismo, tráfico internacional de cocaína e posse ilegal de armas e explosivos.
Segundo autoridades americanas, Maduro seria líder do chamado “Cartel de los Soles”, organização apontada como atuante no tráfico de drogas da América do Sul para os EUA.
Discurso de Washington
Antes da divulgação da carta, Donald Trump havia elevado o tom contra a nova liderança em Caracas. O presidente americano declarou que o governo interino pagaria um “preço muito alto” caso não atendesse às exigências dos Estados Unidos.
O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que Washington não pretende governar a Venezuela, mas utilizará instrumentos econômicos, como bloqueios no setor de petróleo, para pressionar o país.
Além da prisão de Maduro, ataques foram registrados em diferentes bairros de Caracas durante a madrugada de sábado, ampliando o clima de tensão.
Reação do Brasil
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou publicamente a ofensiva militar. Segundo O Brasilianista, Lula afirmou que a operação ultrapassou limites aceitáveis do direito internacional e pediu que a comunidade internacional se manifeste por meio da Organização das Nações Unidas (ONU).
O presidente também convocou uma reunião de emergência com o Itamaraty para discutir os impactos diplomáticos e regionais da crise.
Risco humanitário e refugiados
Como apurado pelo O Brasilianista, o governo brasileiro passou a monitorar de perto a fronteira com a Venezuela. Ministérios articulam um plano de contingência diante da possibilidade de aumento no fluxo de migrantes.
O Brasil já é o terceiro país que mais recebe venezuelanos no mundo, atrás apenas de Colômbia e Peru. A Operação Acolhida, força-tarefa humanitária ativa desde 2018, pode ser reforçada caso a instabilidade política agrave a crise social no país vizinho.
A permanência de Maduro no poder
O Brasilianista noticiou que Maduro se manteve no comando da Venezuela por mais de uma década com apoio das Forças Armadas, controle de instituições, repressão a opositores e alianças internacionais com países como Rússia e Cuba.
A renda do petróleo e o uso intenso de propaganda oficial também foram pilares para sustentar o regime ao longo dos anos. A retirada do presidente do cenário político abre um período de incerteza institucional.

