Na última segunda-feira (05), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington não considera estar em guerra com a Venezuela, mesmo após a operação militar que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Segundo o InfoMoney, a declaração foi feita em entrevista à emissora NBC News, na qual Trump sustentou que a ação americana tem como foco o combate ao narcotráfico e a organizações criminosas transnacionais, e não um confronto direto com o Estado venezuelano.
Na entrevista de aproximadamente 20 minutos, Trump identificou um grupo de autoridades americanas, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth, que ajudarão a supervisionar o envolvimento dos Estados Unidos na Venezuela.
Discurso de Washington
Trump afirmou que os Estados Unidos atuam contra grupos que, segundo ele, utilizam estruturas governamentais para facilitar o envio de drogas, criminosos e pessoas com histórico psiquiátrico ao território americano.
“Estamos em guerra com quem vende drogas. Estamos em guerra com quem esvazia suas prisões em nosso país, com seus viciados em drogas e com seus hospitais psiquiátricos”, declarou.
De acordo com O Brasilianista, esse argumento tem sido central na justificativa apresentada pela Casa Branca para a ofensiva, que culminou na prisão de Maduro e no envio do ex-presidente à Justiça dos EUA.
Eleições são descartadas no curto prazo
Questionado sobre os próximos passos políticos na Venezuela, Trump afastou a possibilidade de eleições em até 30 dias, como previsto em alguns cenários constitucionais do país.
Segundo o presidente americano, a Venezuela não dispõe de condições mínimas para um processo eleitoral funcional. Ele citou colapso institucional, dificuldades logísticas e ausência de garantias básicas para o voto da população.
“Primeiro precisamos consertar o país. Não dá para ter eleição. Não há a menor chance de as pessoas sequer votarem”, disse Trump sobre a possibilidade de uma votação no próximo mês. “Não, vai levar um tempo. Precisamos… precisamos cuidar para que o país se recupere.”
De acordo com O Brasilianista, a Constituição venezuelana prevê eleições em caso de vacância definitiva do cargo, mas o Tribunal Supremo de Justiça classificou a retirada de Maduro como uma ausência temporária, o que adia a abertura formal de um calendário eleitoral.
Petróleo entra no centro da estratégia
Trump também afirmou que os Estados Unidos avaliam apoiar financeiramente a reconstrução da infraestrutura energética venezuelana, com participação direta de empresas do setor de petróleo.
A proposta envolve investimentos elevados para recuperar refinarias, oleodutos e sistemas de extração, atualmente deteriorados após anos de sanções, falta de manutenção e crise econômica.
O presidente americano estimou que o processo poderia levar menos de 18 meses, embora tenha reconhecido o alto custo do projeto.
Donald cita ainda que uma quantia enorme terá que ser gasta. “As companhias petrolíferas vão gastar, e depois serão reembolsadas por nós ou através da receita.”
Posse de Delcy Rodríguez
Ainda nesta segunda-feira (05), Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela, em cerimônia realizada no edifício da Assembleia Nacional, em Caracas.
Durante o discurso, Delcy criticou a ação militar dos Estados Unidos, classificando a prisão do ex-presidente e de sua esposa como um sequestro, ao mesmo tempo em que sinalizou disposição para diálogo com Washington.

