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Justiça

PF investiga suspeita de campanha paga para descredibilizar Banco Central

Denúncias indicam abordagem a influenciadores para espalhar críticas à intervenção em banco investigado por rombo bilionário

PF investiga suspeita de campanha paga para descredibilizar Banco Central

A Polícia Federal iniciou apuração preliminar sobre denúncias de que influenciadores digitais teriam sido procurados para publicar conteúdos contra o Banco Central do Brasil.

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As postagens teriam como objetivo questionar a liquidação extrajudicial do Banco Master, alvo de investigações por suspeita de fraudes estimadas em cerca de R$ 12 bilhões. As informações são da CNN.

Essa fase inicial ainda não é um inquérito formal. Trata-se da produção de uma Informação de Polícia Judiciária (IPJ), documento interno usado para reunir dados, relatos e indícios que podem, ou não, justificar a abertura de uma investigação criminal.

O que motivou a apuração?

Relatos feitos por influenciadores apontam que, no fim de 2025, representantes de empresas de marketing digital entraram em contato oferecendo contratos para divulgar conteúdos críticos à atuação do Banco Central.

O foco das publicações seria sustentar a narrativa de que a liquidação do Banco Master teria ocorrido de forma precipitada.

Como informado pelo O Brasilianista, a liquidação extrajudicial é um mecanismo legal utilizado quando uma instituição financeira não consegue honrar compromissos ou apresenta riscos ao sistema.

Nesse processo, o Banco Central assume temporariamente o controle da instituição para proteger clientes, o mercado e o sistema financeiro.

Quem fez as denúncias?

As abordagens foram tornadas públicas pelo vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), e pela jornalista Juliana Moreira Leite. Ambos possuem grande alcance nas redes sociais, com mais de um milhão de seguidores cada.

Segundo Rony Gabriel, o primeiro contato ocorreu em 20 de dezembro. A proposta envolvia “gestão de reputação” e “gestão de crise” para um grande executivo.

Em mensagens atribuídas a um representante de agência, a iniciativa foi descrita como parte de uma disputa política de repercussão nacional.

Para avançar nas negociações, teria sido exigida a assinatura de um contrato de confidencialidade, com previsão de multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo.

O projeto teria o nome interno de “Projeto DV”, que, segundo o vereador, faria referência ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Estratégia descrita pelos influenciadores

De acordo com os relatos, a ideia central seria criar conteúdos que apresentassem o banco como vítima de uma ação excessivamente rápida do Banco Central.

O objetivo seria influenciar a opinião pública e ampliar o alcance de matérias críticas à intervenção. Juliana Moreira Leite afirmou ter recebido proposta semelhante de outra agência, com envio de áudios e capturas de tela.

Em um dos materiais, o representante sugeria impulsionar reportagens que questionavam a atuação do Banco Central, citando decisões do Tribunal de Contas da União (TCU) para dar aparência de legitimidade ao discurso.

Ela afirmou não ter aceitado a proposta, mas relatou ter identificado diversas publicações com esse mesmo viés circulando nas redes nos dias seguintes.

O que dizem as empresas citadas?

Procurada, a UNLTD Brasil informou que não possui contrato com o Banco Master. Já a Portal Group BR declarou que apenas indicou nomes de influenciadores a outra agência e que não mantém vínculo contratual com os criadores de conteúdo mencionados.

Em nota, a Febraban informou ter identificado, no fim de dezembro, um volume fora do padrão de menções à entidade e a seus dirigentes nas redes sociais, associadas ao noticiário sobre a liquidação de uma instituição financeira.

A federação analisa se o movimento pode caracterizar uma ação coordenada. Segundo a Febraban, esse volume diminuiu nos últimos dias.

A entidade ressaltou que seus levantamentos são internos e não envolvem monitoramento sistemático de postagens sobre o Banco Central ou outras autoridades.

O caso do Banco Master

Como apurado pelo O Brasilianista, o Banco Master enfrenta uma série de questionamentos. Relatórios do INSS apontam que cerca de 250 mil contratos de crédito consignado firmados desde 2020 não possuem documentação básica que comprove a autorização dos aposentados e pensionistas.

Segundo o órgão, quase 75% dos consignados concedidos apresentam falhas consideradas graves, com padrões repetidos de valores, taxas de juros e número de parcelas.

O banco também é investigado por suposta venda de ativos de baixa qualidade e por manobras contábeis envolvendo fundos de pensão, que teriam ajudado a ocultar um rombo bilionário.

Acompanhe os desdobramentos no caso do Banco Master!