O Governo do Distrito Federal estuda a possibilidade de injetar recursos públicos no Banco de Brasília em um momento de forte pressão institucional. A medida ocorre enquanto o BRB enfrenta questionamentos após operações envolvendo o Banco Master, hoje alvo de investigações criminais. Nos bastidores, a iniciativa é vista como estratégica para conter impactos que podem ultrapassar o campo financeiro e atingir diretamente o cenário político local.
O banco público confirmou que pode receber valores do Tesouro do Distrito Federal para cobrir “possíveis prejuízos” ligados à compra de carteiras de crédito do Banco Master. A informação foi divulgada pelo próprio BRB, que é controlado pelo GDF, em meio ao avanço das apurações conduzidas por órgãos federais.
A situação ganhou peso político porque o banco é vinculado à administração distrital. Qualquer desgaste prolongado tende a recair sobre o governador Ibaneis Rocha e sobre a vice-governadora Celina Leão, especialmente em um período de articulações eleitorais.
Operação financeira virou foco de investigação
A origem da crise remonta a março do ano passado, quando o BRB apresentou uma proposta para adquirir parte do Banco Master. O negócio, no entanto, não avançou. Em setembro, o Banco Central do Brasil barrou a operação após identificar inconsistências, conforme decisões do próprio órgão regulador.
Dois meses depois, em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A medida ampliou a exposição do BRB, que passou a ser associado a um caso que reúne risco financeiro e suspeitas de irregularidades graves.
Segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, o Banco Master, então comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, teria negociado com o BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro real. As apurações também apontam a apresentação de documentos falsos ao Banco Central para tentar validar a transação, de acordo com informações reunidas pelas autoridades responsáveis pelo caso.
Impacto político preocupa o Palácio do Buriti
Dentro do governo distrital, a avaliação é de que a fragilidade do BRB pode se transformar em um problema político de grandes proporções. Um banco estatal sob investigação e associado a suspeitas de fraude tende a gerar desgaste institucional e abrir espaço para ataques de adversários.
Por isso, a discussão sobre um eventual aporte financeiro é interpretada como uma ação preventiva. A leitura interna é de que o objetivo seria limitar danos, preservar a imagem do banco público e impedir que a crise avance para o debate eleitoral de forma mais intensa.
Embora o discurso oficial do GDF ressalte a necessidade de garantir a estabilidade do sistema financeiro local, interlocutores do meio político avaliam que a decisão também busca ganhar tempo e reduzir a exposição negativa do governo. A movimentação ocorre em um momento sensível, no qual Ibaneis Rocha e Celina Leão trabalham na consolidação de seus projetos políticos.

