O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da gestora de fundos Reag nesta quinta-feira (15). A decisão colocou novamente em evidência o nome de João Carlos Mansur, fundador e ex-CEO da empresa, que já vinha sendo citado em diferentes investigações nos últimos anos.
Mansur deixou o comando executivo da gestora, mas permaneceu como presidente do conselho de administração até outubro de 2025. A saída ocorreu após a empresa se tornar alvo de uma grande investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo sobre fraudes bilionárias no setor de combustíveis.
A trajetória do empresário reúne passagens pelo mercado financeiro, pelo setor de eventos e também pelo futebol. As informações são da CNN Brasil.
Atuação no mercado financeiro
João Carlos Mansur fundou a Reag e construiu sua carreira à frente da gestora, que administrava diferentes fundos de investimento. Além disso, ele é criador da Ciabrasf, a Companhia Brasileira de Serviços Financeiros.
Na Ciabrasf, Mansur ocupou a presidência do conselho de administração entre março e setembro de 2025. O período coincidiu com o avanço de apurações envolvendo instituições financeiras e operações consideradas irregulares por órgãos de controle.
Fundos administrados pela Reag Trust também passaram a ser investigados após o Banco Central apontar ao Tribunal de Contas da União indícios de operações em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional, envolvendo falhas relevantes na gestão de risco, crédito e liquidez.
Investigações e operações policiais
Em 2025, João Carlos Mansur foi alvo da operação Carbono Oculto. As autoridades cumpriram mandados de busca e apreensão em dois endereços ligados ao empresário, um em seu escritório na região da Faria Lima e outro em sua residência.
No mesmo ano, ele também passou a ser investigado na segunda fase da Operação Compliance Zero. A apuração mira a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional.
As investigações apuram ainda possíveis conexões entre empresas financeiras e esquemas de lavagem de dinheiro associados ao setor de combustíveis, tema que motivou ações conjuntas do Ministério Público e de órgãos federais.
Relação com futebol e outros negócios
Fora do mercado financeiro, Mansur mantém ligação com o esporte. Ele atua como conselheiro do Palmeiras, função que o mantém próximo das decisões administrativas do clube.
O empresário também é cofundador da Revee, empresa voltada à gestão de espaços para eventos. No ano passado, presidiu o conselho de administração da companhia, ampliando sua atuação para além do setor financeiro.
A liquidação da gestora decretada pelo Banco Central prevê ainda a indisponibilidade de bens de controladores e ex-administradores, enquanto as apurações seguem para definição de eventuais responsabilidades administrativas e encaminhamentos a outras autoridades.

