O Supremo Tribunal Federal avançou nesta semana em mais uma etapa da investigação que envolve o Banco Master, com autorização para medidas contra dezenas de alvos. A decisão partiu do ministro Dias Toffoli, relator do inquérito, em um momento de forte pressão pública sobre sua condução do caso.
A nova fase incluiu buscas, prisões temporárias e ações coordenadas, sinalizando que a apuração segue ativa sob responsabilidade do magistrado. O movimento ocorreu após questionamentos recorrentes sobre suposta lentidão e sobre o alcance das investigações no âmbito da Corte.
Segundo a Folha de S. Paulo, Toffoli tem manifestado, de forma reservada e também em despachos oficiais, desconfiança em relação à atuação da Polícia Federal e de integrantes do Governo Federal envolvidos na apuração.
Críticas à Polícia Federal e concentração das provas
No despacho que autorizou a segunda fase da Operação Compliance Zero, o ministro fez cobranças diretas à Polícia Federal, especialmente pelo descumprimento de prazos previamente fixados. A corporação havia recebido autorização para executar as medidas, mas a operação foi deflagrada dias depois do aval judicial.
Investigadores afirmam que ações desse porte exigem etapas preparatórias, como levantamento de endereços e análise de riscos. Ainda assim, Toffoli considerou a demora injustificada e passou a exigir explicações formais da direção da PF.
Além disso, o relator determinou que todo o material apreendido fique lacrado e sob custódia da Procuradoria-Geral da República, decisão interpretada internamente como uma tentativa de reforçar o controle sobre as provas e reduzir riscos de vazamentos.
Pressão política e desgaste institucional
A condução do inquérito também ganhou contornos políticos após declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que afirmou que o caso inspira cautela porque “o Brasil pode estar diante da maior fraude bancária da história”. A fala gerou incômodo no Supremo, por ampliar a exposição pública do processo.
O desgaste se intensificou com a divulgação de informações envolvendo relações indiretas entre familiares de ministros da Corte e estruturas financeiras ligadas ao investigado Daniel Vorcaro. Esses episódios passaram a ser usados por autoridades externas ao caso para questionar a atuação do Supremo.
Mesmo com o avanço das diligências, Toffoli segue sob críticas por manter o inquérito em sigilo e por decisões anteriores que desagradaram setores do mercado financeiro e defensores da atuação do Banco Central. A leitura desses críticos é que o relator teria elevado a pressão sobre órgãos de controle ao mesmo tempo em que ampliou seu domínio sobre o andamento da investigação.
Origem do caso e novos desdobramentos
O processo chegou ao Supremo após recurso da defesa de Vorcaro, que alegou a necessidade de centralizar a apuração na Corte devido à citação de um parlamentar federal. A partir disso, Toffoli assumiu o controle do inquérito no fim do ano passado.
Na avaliação de investigadores ouvidos sob reserva, a nova fase da operação também funciona como um recado direto ao principal investigado, indicando que o ritmo e a intensidade das medidas seguem sob comando do relator, que pode endurecer ou aliviar a pressão conforme o avanço das apurações.

