O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli determinou, logo após a deflagração da nova fase da Operação Compliance Zero, que todos os documentos, bens e equipamentos eletrônicos recolhidos pela Polícia Federal (PF) fossem lacrados e enviados diretamente à sede do tribunal.
A orientação previa que o material ficasse sob custódia exclusiva do STF, sem acesso externo, até nova deliberação.
O gabinete do ministro justificou a medida como uma forma de preservar as provas para análise técnica posterior. As informações são da CNN.
Poucas horas depois, a determinação inicial sofreu a primeira alteração. Diante de alertas sobre riscos envolvendo celulares e computadores apreendidos, o gabinete orientou que os aparelhos permanecessem ligados, porém desconectados da internet.
A preocupação apresentada por investigadores era a possibilidade de destruição remota de dados, o que poderia comprometer informações relevantes para a apuração de crimes financeiros.
Reação da Polícia Federal
A centralização das provas no Supremo gerou resistência dentro da Polícia Federal. Delegados defenderam que a extração dos dados deveria começar imediatamente, argumentando que atrasos poderiam prejudicar a investigação.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou pedido formal ao ministro para que a decisão fosse revista. Também surgiram dúvidas técnicas sobre a capacidade operacional do STF para realizar perícias digitais em larga escala.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também solicitou mudanças. A Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão responsável por apresentar acusações criminais no STF, pediu que a análise do material fosse feita sob sua supervisão.
O argumento apresentado foi a necessidade de examinar as provas para formar convicção jurídica sobre os crimes investigados e a participação individual de cada suspeito.
Novo recuo e ampliação de acesso
Toffoli acolheu o pedido da PGR e determinou que os materiais apreendidos fossem enviados ao órgão. Em seguida, autorizou que a Polícia Federal tivesse acesso às provas, mesmo com a custódia formal mantida na Procuradoria.
Quatro peritos da PF, indicados nominalmente pelo ministro, passaram a acompanhar a extração de dados e os exames técnicos, caracterizando a terceira mudança de orientação em cerca de 24 horas.
Os investigadores também analisam possíveis operações financeiras irregulares entre o Banco Master e fundos administrados pela Reag Trust, empresa citada em apurações anteriores sobre esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo o setor de combustíveis e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Relação com o PCC
Como veiculado pelo O Brasilianista, as investigações apontam que a relação entre o Banco Master e o Primeiro Comando da Capital (PCC) teria ocorrido de forma indireta, por meio de operações financeiras consideradas simuladas.
Investigadores sustentam que o banco concedeu empréstimos a empresas que, na prática, teriam servido como intermediárias para direcionar recursos a fundos administrados pela Reag, companhia investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro ligada à facção criminosa.
A principal suspeita é que os contratos de crédito não tinham finalidade econômica real, sendo estruturados para permitir o aporte de grandes volumes de recursos nos fundos da gestora.
Um dos casos analisados envolve a Brain Realty Consultoria e Participações, que obteve cerca de R$ 460 milhões em crédito junto ao Banco Master e, em seguida, aplicou esses valores em fundos da Reag.
O que investiga a Operação Compliance Zero?
De acordo com a CNN, a Operação Compliance Zero é uma investigação conduzida pela Polícia Federal para apurar um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito sem lastro dentro do Sistema Financeiro Nacional.
O foco da apuração está em práticas como gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, envolvendo operações financeiras consideradas artificiais e potencialmente capazes de causar prejuízos bilionários a outras instituições e investidores.
Na segunda fase da operação, deflagrada nesta quarta-feira (14), agentes da Polícia Federal cumpriram 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados, por ordem do Supremo Tribunal Federal, além de medidas de bloqueio e sequestro de bens que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.
Entre os principais alvos está Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, já preso na primeira fase da investigação, em novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
As apurações tiveram início após pedido do Ministério Público Federal e avançaram depois de fiscalizações do Banco Central, que identificaram a substituição de ativos por carteiras de crédito consideradas inconsistentes, posteriormente comercializadas entre instituições financeiras.
Contexto do caso Banco Master
Como informado pelo O Brasilianista, o Banco Master é alvo de investigações que estimam uma fraude de cerca de R$ 12 bilhões, baseada na venda de títulos e cartas de crédito sem lastro financeiro, além de pedidos de aumento de capital considerados artificiais.
A repercussão aumentou após a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), banco público controlado pelo governo do Distrito Federal. O Banco Central, autoridade que regula o sistema financeiro, iniciou apurações ainda em 2025 e decretou a liquidação extrajudicial da instituição.
Investigações da Polícia Federal e análises do Banco Central indicam que operações envolvendo o Banco Master e o BRB podem ter causado prejuízos superiores a R$ 4 bilhões ao banco público. Como apontado pelo O Brasilianista.
Durante depoimentos ao STF, versões divergentes foram apresentadas por ex-dirigentes das instituições. As apurações continuam em andamento e podem gerar novos inquéritos, incluindo suspeitas sobre contratação de influenciadores digitais para interferir no debate público sobre o caso.
Ressarcimento para investidores
O Brasilianista já monstrou que clientes do Banco Master que aplicaram recursos em produtos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já podem solicitar a devolução dos valores, limitada a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
O volume total de pagamentos previstos chega a R$ 41 bilhões, a maior operação desse tipo já realizada no país.

