O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mencionou o Banco Master ao comentar o que classificou como um momento favorável da política de segurança pública.
A declaração ocorreu durante a cerimônia de posse de Wellington Lima e Silva no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, realizada no Palácio do Planalto. As informações são da Agência Brasil.
No discurso, o presidente incluiu o caso do Banco Master entre exemplos de ações recentes que, segundo ele, aproximam o Estado das camadas superiores do crime financeiro, ao lado de operações policiais e fiscais conduzidas em parceria entre diferentes órgãos federais e estaduais.
Crime organizado e estrutura econômica
Lula afirmou que o enfrentamento ao crime não deve se limitar à repressão em áreas pobres, mas alcançar quem obtém lucro, sonega impostos e utiliza o sistema financeiro para ocultar recursos ilícitos.
Ao mencionar o Banco Master, o presidente associou o caso às investigações que envolvem instituições financeiras, fiscalização do Banco Central e operações da Polícia Federal.
“Nós nunca estivemos tão perto e nunca tivemos tanta oportunidade, tanta chance de chegar ao andar de cima da corrupção e do crime organizado nesse país como agora. Nesse exato momento histórico do Brasil, depois da Operação Carbono Oculto, que foi a maior operação já feita pela Polícia Federal… Depois que nós fizemos isso, depois da situação do Banco Central com o Banco Master“, declarou Lula.
O presidente disse que esse tipo de apuração representa uma mudança de foco, ao direcionar esforços para o que chamou de “andar de cima” da criminalidade, onde estariam concentrados os ganhos financeiros ilegais.
Operação Carbono Oculto
Segundo o portal VEJA, a Operação Carbono Oculto foi uma ampla investigação conduzida pela Polícia Federal para desarticular esquemas de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligados ao setor de combustíveis e ao crime organizado.
Deflagrada em agosto de 2025, a ação ficou marcada como a maior ofensiva já realizada contra estruturas financeiras associadas a facções criminosas no país, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O foco da operação era desmontar mecanismos usados para inserir recursos ilícitos na economia formal por meio de distribuidoras, empresas de fachada, fintechs e fundos de investimento, explorando brechas regulatórias e fragilidades de fiscalização.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra cerca de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional solicitou o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens, como imóveis e veículos, para resguardar créditos tributários.
Defesa da PEC da Segurança Pública
O Chefe de Estado utilizou o evento para reforçar a necessidade de aprovação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, em tramitação na Câmara dos Deputados.
Segundo ele, a proposta busca definir com mais clareza o papel da União no setor, hoje majoritariamente atribuído aos estados pela Constituição de 1988.
O presidente detalhou que a PEC pretende organizar as atribuições da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e de uma Guarda Nacional fortalecida, além de estabelecer formas de atuação conjunta entre os entes federativos.
O que é a PEC da Segurança?
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública é uma iniciativa do Governo Federal enviada ao Congresso em abril de 2025 com o objetivo de reorganizar o papel do Estado no enfrentamento ao crime, especialmente o crime organizado.
Como informado pelo O Brasilianista, o ponto central do texto é dar status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), criado por lei em 2018, para garantir integração permanente entre União, estados e municípios.
A proposta parte do diagnóstico de que a criminalidade deixou de ser local e passou a operar de forma interestadual e transnacional, enquanto as forças de segurança seguem fragmentadas, com diferentes sistemas de dados, protocolos e formas de atuação, o que dificulta investigações e ações coordenadas.
De acordo com o Governo Federal, a PEC estabelece diretrizes nacionais de segurança, padroniza a coleta de informações criminais, assegura financiamento contínuo por meio da constitucionalização de fundos como o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional, e preserva a autonomia dos estados no comando de suas polícias.
Posição do novo ministro
Após a posse, o novo titular da Justiça afirmou que a proposta constitucional será debatida no Congresso e destacou a importância de diálogo com deputados e senadores.
Ele explicou que projetos enviados pelo Executivo passam por avaliação das duas Casas e que o governo trabalhará para que o texto final reflita os objetivos da política pública apresentada.
O ministro também informou que recebeu autonomia para avaliar a equipe da pasta, mantendo os diretores-gerais da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal e analisando, caso a caso, a permanência dos secretários nacionais.
Contexto do caso Banco Master
Como apurado pelo O Brasilianista, o Banco Master tornou-se alvo de investigações após fiscalizações do Banco Central identificarem operações financeiras consideradas irregulares, envolvendo títulos sem lastro e possíveis conexões com esquemas de lavagem de dinheiro.
As apurações avançaram para o Supremo Tribunal Federal e integram um conjunto mais amplo de ações voltadas ao combate a crimes econômicos de grande escala.

