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Economia

Conheça Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil

Economista com trajetória no setor público e financeiro consolidou espaço ao assumir a liderança da autoridade monetária

Conheça Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou o economista Gabriel Galípolo para assumir a presidência do Banco Central no lugar de Roberto Campos Neto. Galípolo está à frente da instituição desde o dia 01 de janeiro de 2025 e deve permanecer até 2028. As informações são do InfoMoney.

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Apesar de defender ideias desenvolvimentistas, Galípolo não é filiado ao PT e não é considerado um representante partidário. A avaliação predominante é de que sua atuação busca equilíbrio entre visão heterodoxa e pragmatismo na relação com o setor privado.

Ainda em 2022, antes do início oficial da campanha presidencial, chamou atenção ao participar de um encontro com empresários ao lado de Gleisi Hoffmann. O episódio deu força à percepção de que poderia atuar como ponte entre Lula e o mercado financeiro.

Essa capacidade de interlocução é apontada como uma de suas principais características. Mesmo crítico ao teto de gastos, Galípolo defende instrumentos como concessões, parcerias público-privadas e, em situações específicas, privatizações.

Passagem pela Fazenda e chegada ao BC

No início do terceiro mandato de Lula, Galípolo assumiu o cargo de secretário executivo do Ministério da Fazenda, trabalhando diretamente com Fernando Haddad. Coube a ele enfrentar um cenário fiscal delicado, marcado por um rombo estimado em cerca de R$ 300 bilhões e forte pressão por ampliação de políticas públicas.

Meses depois, deixou a pasta para integrar a diretoria do Banco Central, por indicação de Haddad. Sua estreia no Comitê de Política Monetária coincidiu com o início do ciclo de redução da Selic após um longo período de altas.

Dentro da instituição, superou dúvidas iniciais sobre sua autonomia em relação ao Planalto. Também esteve no centro de um momento sensível do Copom, quando uma decisão dividida sobre o ritmo de corte dos juros gerou ruídos e exigiu sinais posteriores de unidade entre os diretores.

Trajetória acadêmica e profissional

Formado em Ciências Econômicas e mestre em Economia Política pela PUC de São Paulo, Galípolo construiu carreira acadêmica antes de ganhar projeção nacional. Foi professor universitário e pesquisador sênior do Centro Brasileiro de Relações Internacionais.

A atuação no setor público começou no governo de São Paulo, durante a gestão de José Serra, com passagens por áreas ligadas a planejamento e estruturação de projetos. Entre 2017 e 2021, presidiu o banco Fator, especializado em concessões e privatizações.

Nesse período, participou dos estudos que embasaram o processo de privatização da Cedae. O leilão, realizado em parceria com o BNDES, arrecadou R$ 22,6 bilhões com a venda de ativos da companhia.

Visão econômica e alinhamento com Haddad

Galípolo é classificado como um heterodoxo moderado. Defende a presença do Estado em setores estratégicos, mas rejeita a oposição entre políticas públicas e iniciativa privada. Ao longo da carreira, escreveu livros e artigos sobre desenvolvimento econômico e política fiscal.

Em novembro de 2022, durante participação no Fórum Esfera Brasil, afirmou que o teto de gastos já havia perdido sua função. “Uma regra fiscal que funciona por excepcionalidades o tempo todo é uma regra que já não existe”, disse.

No mesmo evento, também avaliou a estrutura fiscal brasileira. “Quando olho para a média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), não vejo o Brasil como um quasímodo, não tenho distorção. Mas quando olho para a estrutura de arrecadação, e para a estrutura de gastos do Brasil, aí sim eu tenho um monstro de gastos e concentrador de renda”, afirmou.

A proximidade com Fernando Haddad também se reflete em propostas conjuntas, como a defesa de uma moeda de uso comercial entre países do Mercosul, tema que voltou ao debate após artigos assinados pelos dois.

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