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Carlos Eduardo Bellini Borenstein

Destino da eleição presidencial passa pelo Sudeste

A importância estratégica de SP, MG e RJ fica nítida quando analisamos os resultados do segundo turno de 2018 e 2022

Destino da eleição presidencial passa pelo Sudeste

As eleições presidenciais no Brasil têm registrado uma divisão regional do voto relativamente estável desde 2006. Desde então, o Nordeste vota com o lulismo. O Centro-Oeste e o Sul pendem para a direita. O Norte costuma dividir-se. O Sudeste – a região mais populosa do país – tem sido o fiel da balança, mais especificamente os estados de São Paulo (SP), Minas Gerais (MG) e Rio de Janeiro (RJ), que são os três maiores.

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A importância estratégica de SP, MG e RJ fica nítida quando analisamos os resultados do segundo turno de 2018 e 2022 ao Palácio do Planalto. Em 2018, Jair Bolsonaro (PL) venceu Fernando Haddad (PT). Em 2022, Lula derrotou Jair Bolsonaro (PL).

No pleito de 2018, Bolsonaro obteve uma expressiva vantagem sobre Haddad em SP, MG e RJ. Naquela eleição, Bolsonaro superou Haddad em SP por 68,97% a 32,03% dos votos válidos. Em votos nominais, foram 15.306.023 contra 7.212.132.

Em MG, Bolsonaro obteve 58,19% dos votos válidos contra 41,81% de Haddad. Em votos nominais, foram 6.100.107 a 4.382.952. No RJ, a vitória de Bolsonaro sobre Haddad foi de 67,95% a 32,05%. Em votos nominais, foram 5.669.059 a 2.673.386.

Na eleição de 2018, nos três maiores estados do país, Jair Bolsonaro obteve 27.075.189 votos contra 14.268.470 de Fernando Haddad, o que significou uma vantagem de 12.806.719 votos.

Se considerarmos que em 2018 Bolsonaro venceu Haddad por 55,13% a 44,87% dos votos válidos – uma diferença de 10.756.941 em votos nominais – o resultado em SP, MG e RJ em favor de Bolsonaro foi fundamental para sua eleição.

Já em 2022, o crescimento de Lula em SP, MG e RJ comparado ao desempenho de Fernando Haddad quatro anos antes – somado à perda de capital político de Jair Bolsonaro – também pode ser considerado determinante no resultado da última eleição.

Em SP, Bolsonaro venceu Lula por 55,23% a 44,77% – 14.216.109 contra 11.519.468 em votos nominais. Em MG, Lula venceu Jair Bolsonaro por 50,20% a 49,80 – 6.190.960 a 6.141.310 se considerarmos os votos nominais. Já no RJ, o vitorioso foi Jair Bolsonaro – 56,53% a 43,47 – 5.403.894 a 4.156.217 em votos nominais.

Nos três maiores estados da federação, Bolsonaro conquistou 25.761.313 dos votos nominais contra 21.866.645 de Lula, ou seja, uma vantagem de apenas 3.894.668 votos. Para efeito de comparação, no pleito de 2018, Bolsonaro havia livrado 12.806.719 votos sobre Haddad.

Ou seja, em quatro anos, Bolsonaro perdeu 1.313.876 votos em SP, MG e RJ. Nesse mesmo período, Lula ganhou 7.598.175 votos em relação a Haddad. Em 2022, a vitória de Lula sobre Bolsonaro no país ocorreu por apenas 1,8 ponto percentual – 50,90% a 49,10% – 2.139.645 votos.

Mesmo que a expressiva votação de Lula no Nordeste tenha sido fundamental para sua vitória em 2022, os votos perdidos por Bolsonaro em comparação a 2018 em SP, MG e RJ – combinado com o melhor desempenho de Lula nesses estados em relação a Haddad – parecem ter selado o destino da eleição mais acirrada da história do país.

Na disputa de outubro deste ano, mais uma vez, SP, MG e RJ serão o fiel da balança na sucessão. De acordo com o instituto Ideia Big Data, o próximo presidente deve ser eleito por uma distância em torno de três pontos percentuais.

Como Lula tende a ter uma votação expressiva no Nordeste, a vantagem que a direita tiver no Sudeste pode definir o pleito. Quanto maior for a distância em relação a Lula nesses estados, maior será a chance de a oposição retornar ao Palácio do Planalto.

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