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Geopolítica

9 curiosidades sobre as eleições ao redor do mundo

Países adotam desde tinta no dedo e votação obrigatória com retirada do cadastro até candidatos fantasiados e pleitos realizados em plena terça-feira

9 curiosidades sobre as eleições ao redor do mundo

As eleições podem ter o mesmo objetivo de escolher representantes, mas estão longe de funcionar da mesma maneira em todos os países.

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Enquanto o Brasil utiliza urnas eletrônicas nas seções eleitorais, outras nações recorrem a cédulas de papel, votação pela internet e até bolinhas de gude para registrar a escolha dos cidadãos.

As diferenças também aparecem fora da cabine de votação. Há países que marcam o dedo do eleitor depois do voto, locais onde faltar às urnas pode retirar o cidadão do cadastro eleitoral e sistemas que permitem votar sem sair de casa.

No Brasil, o voto é obrigatório para maiores de 18 anos e facultativo para pessoas analfabetas, maiores de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos.

Em outras partes do mundo, regras históricas, características sociais e avanços tecnológicos criaram formas bastante diferentes de organizar uma eleição.

1. Estônia permite votar pela internet

Ir até uma seção eleitoral não é obrigatório para quem escolhe participar das eleições pela internet na Estônia. O país introduziu o chamado i-Voting em 2005 e se tornou o primeiro do mundo a utilizar o voto pela internet com resultado vinculante em eleições nacionais.

O sistema funciona durante o período de votação antecipada. O eleitor pode usar identificação digital para acessar o programa eleitoral em um computador conectado à internet e registrar sua escolha remotamente.

A votação online ganhou espaço ao longo dos anos. Nas eleições parlamentares de 2023, 51% dos eleitores utilizaram o sistema. Estonianos também já recorreram à modalidade a partir de mais de 140 países.

Outra característica permite que o cidadão altere a decisão tomada pela internet. Durante o período eletrônico, é possível votar novamente, e uma cédula de papel depositada presencialmente no domingo pode anular o voto eletrônico anterior.

2. Astronautas americanos conseguem votar do espaço

Nem mesmo estar fora da Terra impede determinados eleitores dos Estados Unidos de participar de uma eleição. Astronautas norte-americanos podem registrar o voto enquanto estão em missão no espaço, por meio de um procedimento desenvolvido após uma lei aprovada no Texas em 1997.

Os astronautas recebem inicialmente uma cédula de teste e uma senha para verificar o funcionamento do sistema. Depois, têm acesso ao documento oficial, protegido por criptografia.

Após o preenchimento, o arquivo retorna à Terra pelo sistema de comunicação espacial. O voto passa pelo Controle da Missão em Houston e segue para a autoridade eleitoral responsável pelo condado do astronauta.

David Wolf se tornou, em 1997, o primeiro norte-americano a votar enquanto estava no espaço. O procedimento permite que integrantes de missões permaneçam ligados ao processo eleitoral mesmo quando estão a centenas de quilômetros da superfície terrestre.

3. México marca o dedo de quem já votou

Eleitores mexicanos saem da seção eleitoral com uma marca que tem função de segurança. Após o voto, autoridades aplicam tinta indelével no dedo do cidadão para dificultar que uma mesma pessoa participe do pleito mais de uma vez.

A substância integra oficialmente os materiais utilizados nas eleições mexicanas. O pigmento reage com células da pele e permanece visível até desaparecer com a renovação natural dessa camada.

A produção da tinta fica a cargo do Instituto Politécnico Nacional (IPN), instituição pública mexicana que desenvolve o material há décadas.

A Universidade Autônoma Metropolitana também participou da certificação das características e da qualidade da substância para o processo eleitoral de 2024.

O recurso não ficou restrito ao México. A tecnologia produzida pelo IPN também já foi empregada em eleições realizadas em países como El Salvador, Honduras, Nicarágua e República Dominicana.

4. Eleições americanas acontecem em uma terça-feira

Enquanto o Brasil realiza suas eleições aos domingos, os Estados Unidos mantêm uma regra criada quando boa parte da população ainda vivia no campo. As eleições federais ocorrem na primeira terça-feira depois da primeira segunda-feira de novembro.

A escolha remonta a 1845. Na época, o Congresso precisava estabelecer uma data nacional e levou em consideração hábitos religiosos, deslocamentos e a rotina dos agricultores.

O domingo era reservado à igreja para muitos cidadãos. A segunda-feira poderia exigir que moradores de áreas rurais viajassem no domingo até os locais de votação, enquanto a quarta-feira era tradicionalmente utilizada para mercados agrícolas.

A terça-feira acabou ocupando o espaço entre esses compromissos e permanece no calendário eleitoral mesmo depois das transformações sociais e tecnológicas ocorridas desde o século XIX.

5. Gâmbia troca cédulas por bolinhas de gude

Uma das formas mais incomuns de votar está na Gâmbia. Em vez de preencher uma cédula, eleitores depositam uma bolinha de vidro em um tambor correspondente ao candidato escolhido.

O sistema foi introduzido em 1965 em um contexto de elevado analfabetismo. Cada recipiente é identificado pela cor, fotografia e símbolo associados ao concorrente, permitindo que o eleitor reconheça onde registrar sua escolha.

A bolinha entra no tambor por um tubo e aciona um sino. O som permite que funcionários eleitorais percebam a entrada do voto e identifiquem uma eventual tentativa de colocar mais de uma bolinha.

A particularidade chegou a produzir outra regra curiosa: como o sino poderia ser confundido com buzinas de bicicleta, a circulação de bicicletas nas áreas eleitorais chegou a ser proibida. Na contagem, as bolinhas são distribuídas em tabuleiros com centenas de espaços, facilitando a apuração.

6. Não votar em Singapura pode tirar eleitor do cadastro

Singapura também adota o voto obrigatório, mas a consequência da ausência segue uma lógica diferente da brasileira. O cidadão inscrito que deixa de votar tem o nome retirado do registro de eleitores após a eleição.

Enquanto permanecer fora da lista, o cidadão não pode votar nas eleições presidenciais ou parlamentares seguintes. Também fica impedido de concorrer como candidato nesses pleitos.

A exclusão, porém, pode ser revertida. O eleitor pode pedir a restauração do nome e explicar por que não compareceu à eleição. Entre as justificativas aceitas estão viagem, trabalho ou estudos no exterior e razões médicas.

Quando não existe uma justificativa considerada válida, o processo de retorno ao cadastro pode exigir o pagamento de uma taxa administrativa de 50 dólares de Singapura (R$198,36).

7. Reino Unido tem candidatos fantasiados nas eleições

A divulgação dos resultados britânicos pode reunir políticos tradicionais e personagens com fantasias no mesmo palco. Candidaturas satíricas se tornaram uma característica conhecida das eleições no Reino Unido.

Count Binface, personagem interpretado pelo comediante Jon Harvey, concorre usando um capacete em formato de lata de lixo. Outros pleitos já tiveram candidatos vestidos como animais e personagens criados para fazer sátira política.

Em 2017, um concorrente chegou a mudar legalmente o nome para Mr Fish Finger antes de disputar uma vaga no Parlamento. O Monster Raving Loony Party também costuma lançar candidatos com roupas extravagantes e propostas deliberadamente absurdas.

Esses concorrentes aparecem lado a lado com os demais durante o anúncio dos resultados. Como os votos britânicos são contados manualmente, as cerimônias locais de apuração frequentemente colocam candidatos conhecidos e figuras satíricas diante das câmeras ao mesmo tempo.

8. Candidato britânico pode perder dinheiro se tiver poucos votos

A candidatura no Reino Unido também pode ter custo financeiro. Para disputar uma eleição parlamentar, o candidato precisa fazer um depósito de £500 (R$ 3.427,21).

O valor não retorna automaticamente depois da votação. O dinheiro é devolvido quando o concorrente alcança pelo menos 5% dos votos válidos no distrito eleitoral disputado.

Quem fica abaixo desse percentual perde o depósito. A regra alcança candidatos de qualquer perfil e ajuda a explicar por que algumas candidaturas de protesto ou humor terminam não apenas com poucos votos, mas também com prejuízo financeiro.

Count Binface enfrentou essa situação na eleição suplementar de Makerfield em 2026. O personagem recebeu 95 votos e não alcançou o percentual necessário para recuperar as £500 (R$ 3.427,21) depositadas para participar da disputa.

9. Alguns países suspendem venda de álcool durante eleições

A chamada “lei seca” eleitoral assume formas diferentes ao redor do mundo. Em alguns países, a venda e o consumo público de bebidas alcoólicas ficam proibidos durante períodos que começam antes da abertura das urnas.

Na Argentina, a restrição analisada começava às 20h do sábado anterior à eleição e seguia até as 21h do domingo. Outros países latino-americanos também adotaram versões próprias da medida.

O Peru já teve períodos de restrição de 48 horas, enquanto o Equador aplicou proibições ainda mais longas. A duração e as condições dependem da legislação eleitoral de cada país e podem mudar entre eleições.

Historicamente, medidas desse tipo surgiram também como forma de impedir que bebidas fossem utilizadas para influenciar eleitores.

Nos Estados Unidos, diversos estados já tiveram restrições específicas no dia da votação, mas grande parte delas desapareceu ao longo do tempo.

No Brasil, disputa se concentra em Lula e Flávio Bolsonaro

O Brasilianista destacou que o cenário brasileiro apresentado pela pesquisa Nexus/BTG de 29 de junho mostra uma disputa concentrada em dois nomes.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 42% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 34%. Ronaldo Caiado registra 5%, Renan Santos e Romeu Zema têm 3% cada, enquanto Joaquim Barbosa aparece com 2%.

A concentração permanece em uma eventual disputa direta. No cenário de segundo turno, Lula registra 47% e Flávio, 44%, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais informada pelo levantamento.

A rejeição também aproxima os dois pré-candidatos: 51% dos entrevistados dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro, enquanto Lula registra 49%. Já uma candidatura sem apoio de Lula ou da família Bolsonaro reúne 21% quando os entrevistados são questionados sobre quem deveria ser eleito em 2026.

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