Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a discutir saídas para conter o desgaste institucional provocado pela condução do inquérito do Banco Master.
O caso está sob responsabilidade do ministro Dias Toffoli, cuja atuação gerou incômodo entre integrantes da Corte e também em setores da Polícia Federal.
Entre os pontos sensíveis estão decisões que alteraram o ritmo das investigações, como a redução de prazos para coleta de depoimentos e a definição direta de procedimentos técnicos. As informações são do portal O GLOBO.
Hipóteses analisadas nos bastidores
Uma das alternativas debatidas é a possibilidade de a Procuradoria-Geral da República (PGR) provocar a declaração de suspeição do relator, o que afastaria o ministro do caso.
Um desses pedidos partiu do senador Eduardo Girão, que solicitou ao procurador-geral Paulo Gonet a análise de possível conflito de interesses no caso.
No histórico do tribunal, tentativas semelhantes de afastamento de ministros já ocorreram, mas não avançaram.
Outra saída considerada envolve o envio do inquérito para a primeira instância, caso seja avaliado que não há necessidade de manter a apuração no STF por foro privilegiado.
Ministros ouvidos avaliam como remota a chance de afastamento voluntário do relator. O cenário mais provável, segundo essas análises, é a continuidade do processo no Supremo, com expectativa de redução gradual da pressão política.
Atritos com investigadores
Como informado pelo O Brasilianista, o relacionamento entre o relator e a Polícia Federal se deteriorou após decisões que comprimiram o prazo para a realização de oitivas, reduzindo de cinco para dois dias o tempo solicitado pelos investigadores.
O argumento apresentado foi a limitação operacional do Supremo e o fato de as autorizações para os depoimentos existirem desde meses anteriores.
Outro foco de tensão surgiu na gestão das provas recolhidas na segunda fase da Operação Compliance Zero, quando o ministro determinou o lacre do material e a custódia direta pelo STF antes de autorizar a atuação de peritos indicados por ele.
Contexto da investigação
Como divulgado pelo O Brasilianista, o Banco Master foi submetido à liquidação extrajudicial pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025, após a identificação de irregularidades em operações financeiras.
As apurações buscam esclarecer suspeitas de fraudes e possíveis crimes financeiros envolvendo a instituição e seus dirigentes.
Código de conduta ganha espaço
Como apurado pelo O Brasilianista, o episódio ampliou o debate sobre a necessidade de padrões éticos claros para ministros do Supremo.
A proposta vem sendo articulada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, inclusive durante o recesso do Judiciário. A avaliação de magistrados é que regras claras podem reduzir questionamentos públicos sobre imparcialidade e procedimentos adotados em investigações sensíveis.
A análise ressalta que, em democracias consolidadas, regras formais funcionam como proteção tanto para a instituição quanto para seus integrantes, reduzindo desgastes desnecessários em momentos de pressão política.

