Brasileiros deixaram US$ 21,7 bilhões em viagens internacionais ao longo de 2025, valor superior ao registrado no ano anterior, quando as despesas somaram US$ 19,7 bilhões.
Os números foram divulgados pelo Banco Central, órgão responsável por acompanhar as contas externas do país. Pela série histórica revisada da instituição, iniciada em 1995, o montante é o mais elevado desde 2014.
O resultado surge em um cenário de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e de aumento da renda, fatores que ampliam a capacidade de consumo das famílias.
A cotação do dólar também influenciou o comportamento dos viajantes. Em 2025, a moeda norte-americana caiu 11,18% frente ao real, a maior desvalorização em quase dez anos.
Como passagens, diárias de hotéis e serviços turísticos são precificados em moeda estrangeira, a queda do câmbio reduziu o custo dessas despesas para quem pagou em reais. As informações são do portal G1.
Efeito nas contas externas
O avanço das despesas com viagens internacionais ocorre ao mesmo tempo em que o saldo da balança comercial, que mede exportações e importações, diminuiu em relação a 2024.
Em 2025, o superávit ficou em US$ 59,9 bilhões, abaixo dos US$ 65,9 bilhões do ano anterior. Já a conta de serviços, que inclui gastos com transporte, seguros, serviços financeiros e turismo, fechou com resultado negativo de US$ 52,9 bilhões.
A conta de renda primária, que considera remessas de lucros, dividendos e juros, também apresentou saldo negativo de US$ 81,3 bilhões.
Aumento do IOF não freou viagens
Mesmo com a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em maio de 2025, os gastos no exterior avançaram.
A alíquota para compra de moeda estrangeira em espécie e para remessas ao exterior passou de 1,1% para 3,5%. O mesmo percentual passou a valer para cartões de crédito e pré-pagos usados fora do país.
Antes da mudança, viajantes utilizavam a compra de dinheiro em espécie ou transferências para contas no exterior como forma de pagar menos imposto do que no cartão. Com a equiparação das alíquotas, essa diferença deixou de existir.
Entrada recorde de recursos com visitantes internacionais
Como divulgado pelo portal UOL, enquanto os brasileiros ampliaram os gastos fora do país, o Brasil recebeu volume inédito de recursos deixados por turistas estrangeiros.
Em 2025, visitantes de outros países gastaram US$ 7,86 bilhões em território nacional, segundo dados do Banco Central.
O valor supera o recorde anterior, registrado em 2024, e é o maior desde 1994, ano que marca o início do Plano Real e da série histórica desse indicador.
O resultado foi impulsionado por um número recorde de desembarques internacionais. Ao longo do ano passado, 9,29 milhões de turistas estrangeiros chegaram ao Brasil, volume 37,1% superior ao observado em 2024, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU) Turismo.
Câmbio e eventos recolocam o Brasil na rota
A desvalorização do dólar frente ao real também favoreceu o turismo de entrada, ao tornar o país mais barato para visitantes que trazem recursos em moeda estrangeira.
Além disso, a realização de grandes eventos internacionais, como a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), ajudou a recolocar o Brasil no roteiro de viagens globais.
Especialistas em economia avaliam que, apesar do déficit gerado pelas viagens internacionais, o cenário não representa risco imediato à estabilidade financeira, já que o país mantém reservas internacionais elevadas e equilíbrio nas contas externas.

