As expectativas de investidores do mercado quanto à manutenção da taxa básica de juros foram adiadas para março, isto diante de sinais de que a Selic será mantida em 15% ao ano. A primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) acontecerá na próxima quarta-feira (28).
Em nota, o Santander apontou que a redução dos juros deve ocorrer de forma gradual, com possibilidade de o corte ter início em 0,25 ponto percentual. Por enquanto, o que se percebe é que as taxas devem continuar no mesmo movimento do ano passado, quando a Selic foi mantida em 15% pela quarta vez seguida, aponta informações da Folha de São Paulo.
Contudo, a instituição financeira revela que há incertezas sobre a posição do colegiado em relação a 2027. “O Banco Central já tem tomado decisões que são sobre 2027, […] mas ainda não temos grandes sinais sobre qual será a postura fiscal em 2027, porque pode ter mudanças do Ministério da Fazenda. Isso naturalmente levaria qualquer banqueiro central a se movimentar mais devagar”, disse em nota.
Influências
O cenário marcado pela falta de redução da Selic é influenciado por questões internas e externas. Entre eles está uma reestruturação no quadro de diretores do Banco Central, que aconteceu pela saída dos diretores Diogo Guillen, da Diretoria de Política Econômica e Renato Gomes, da Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução. As mudanças resultam em um Copom desfalcado nesta próxima reunião.
No cenário internacional, pesam o aumento das tensões globais após ações recentes dos Estados Unidos na Venezuela e a tentativa do presidente Donald Trump de anexar a Groenlândia, movimento que elevou a tensão diplomática com países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Outro movimento externo ligado ao país norte-americano é a pausa no ciclo de cortes do Federal Reserve, segundo a CNN. Análises preveem que a taxa seja mantida no mesmo nível também pela baixa atividade doméstica e pela desaceleração da atividade econômica.
Meta de juros
A atual meta de juros determinada pela autoridade monetária é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O objetivo é classificado como descumprido quando a inflação acumulada continua fora da meta por seis meses consecutivos, ou seja, acima de 4,5% ou abaixo de 1,5%.
Na visão do economista e ex-diretor do Banco Central, Tony Volpon, esta próxima reunião pode ser a oportunidade para o Copom decidir se terá redução redução em março. “Tudo pode mudar, mas o Copom consegue usar esta reunião para abrir as portas em termos da comunicação e a reunião de março para mostrar a projeção na meta”.

