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Justiça

Veja a lista dos convocados pela PF para depor nesta semana sobre o Banco Master

O cronograma foi reduzido por decisão do relator do inquérito, e parte das oitivas ocorrerá por videoconferência e três presencialmente

Caso Master ganha nova repercussão após suspeita de lavagem ligada ao ‘tigrinho’; entenda

A Polícia Federal (PF) inicia nesta segunda-feira (26) e segue até terça (27) com a oitiva de oito pessoas investigadas no inquérito que apura suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master.

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As audiências integram uma etapa da investigação conduzida no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso está sob responsabilidade do ministro Dias Toffoli.

Inicialmente, a PF previa um período maior para ouvir os convocados, incluindo um novo depoimento do proprietário da instituição financeira.

O relator, porém, encurtou o prazo de seis para dois dias, e o novo calendário foi ajustado sem a presença do empresário.

As oitivas ocorrem por videoconferência ou em salas do próprio Supremo, em Brasília. Três investigados comparecem presencialmente: Roberto Bonfim Mangueira, Luiz Antonio Bull e Augusto Ferreira Lima. As informações são da Folha de São Paulo.

Antecedentes da investigação

No dia 30 de dezembro, o dono do banco já havia prestado esclarecimentos no STF. Na mesma data, também falaram o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.

Depois dessas falas, houve uma acareação, procedimento em que duas pessoas são colocadas frente a frente para esclarecer versões divergentes, entre o empresário e o ex-dirigente do banco público do Distrito Federal. Advogados dos citados sustentam publicamente que não houve irregularidades nas operações.

Operação Compliance Zero

Os nomes chamados nesta semana aparecem na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado.

A ação levou à prisão do proprietário do banco no dia 17 daquele mês. Ele deixou a prisão no dia 28 e passou a usar tornozeleira eletrônica.

A investigação inicial examina suspeitas relacionadas à tentativa de venda do Banco Master ao BRB, instituição financeira pública controlada pelo governo do Distrito Federal.

Quem são os investigados ouvidos agora?

Augusto Ferreira Lima foi sócio da instituição e participava das decisões estratégicas, além de atuar nas relações públicas. Ele teria sido um dos interlocutores com o BRB nas negociações de cessões bilionárias de crédito.

Também é citado como responsável por associações utilizadas para justificar, junto ao Banco Central, a origem de créditos repassados ao banco público. Sua defesa alega que os fatos investigados ocorreram após sua saída.

Henrique Souza e Silva Peretto aparece como proprietário formal da empresa Tirreno. O capital social da companhia saltou de R$ 100 para R$ 30 milhões, valor que, para a investigação, não condiz com a atividade real da empresa. A suspeita é de que a firma funcionasse como fachada.

André Felipe de Oliveira Seixas Maia trabalhou no Master e depois assumiu cargo de direção na Tirreno. A apuração indica que créditos ligados à empresa foram adquiridos pelo banco sem pagamento e revendidos ao BRB.

Luiz Antonio Bull atuava como diretor do Master e assinou documentos nas operações com a Tirreno, além de comunicações enviadas a órgãos de controle. Ele é citado em suspeitas relacionadas à emissão de CCBs, que são cédulas de crédito bancário, classificadas como inexistentes ou sem valor real.

Alberto Felix de Oliveira Neto também ocupava cargo de direção e assinou contratos da parceria com a Tirreno.

Angelo Antonio Ribeiro da Silva, ex-diretor, teria participado da formalização de instrumentos usados nessas transações e de operações que geraram liquidez artificial ao banco.

Dario Oswaldo Garcia Júnior, que foi diretor financeiro do BRB, é investigado ao lado do ex-presidente da instituição por suposta gestão fraudulenta. A investigação examina se sua atuação facilitou transferências de recursos do banco público para socorrer o Master em meio à crise de caixa.

Robério Cesar Bonfim Mangueira exercia a função de superintendente de Operações Financeiras do BRB e apresentou ofício ao Banco Central para justificar repasses feitos ao Master.

Congresso articula abertura de CPIs

Como divulgado pelo O Brasilianista, parlamentares já reuniram assinaturas suficientes para solicitar a criação de três Comissões Parlamentares de Inquérito destinadas a investigar o caso do Banco Master: uma na Câmara dos Deputados, outra no Senado e uma mista, formada por integrantes das duas Casas.

O Congresso Nacional, porém, está em recesso e retoma as atividades no dia 2 de fevereiro. A instalação das comissões depende de decisão dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre.

O que são e como funcionam as CPIs?

As CPIs são comissões temporárias formadas por parlamentares para investigar fatos determinados. Para que sejam criadas, é necessário o apoio de um terço dos membros da Casa legislativa correspondente.

Após a leitura do requerimento em plenário pelo presidente da Casa, inicia-se a definição dos integrantes e dos cargos de comando. Os trabalhos duram 120 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 60.

Durante a apuração, parlamentares podem convocar pessoas para prestar depoimento, requisitar documentos e realizar diligências. Ao final, eventuais responsabilidades podem ser encaminhadas ao Ministério Público.

O Caso Master

Como apurado pelo O Brasilianista, o Banco Master é alvo de suspeitas de fraude estimada em cerca de R$ 12 bilhões, envolvendo a venda de títulos financeiros e cartas de crédito sem lastro, além de pedidos de aumento de capital baseados em lucros considerados inconsistentes.

A instituição teve a liquidação decretada em novembro de 2025, junto com outras cinco empresas do mesmo grupo.

Parte dos parlamentares vê nas comissões uma oportunidade de examinar não apenas as operações do banco, mas também a atuação de autoridades envolvidas no acompanhamento do caso.

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