A região Nordeste foi crucial para a vitória do presidente Lula (PT) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no pleito de 2022. Lula conquistou mais de 69% dos votos válidos no segundo turno nesta região, estabelecendo uma vantagem crucial que compensou resultados menos favoráveis no Sul e em partes do Sudeste. O PT também conseguiu eleger quatro governadores nordestinos: Jerônimo Rodrigues (Bahia), Elmano de Freitas (Ceará), Rafael Fonteles (Piauí) e Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte).
Contudo, quatro anos depois, o panorama pré-eleitoral mostra dificuldades para o PT nas disputas pelos governos estaduais nordestinos. Conforme análise da Arko Advice, entre os estados com governadores petistas, o partido lidera apenas no Piauí. Mesmo que o PT possa melhorar sua situação na Bahia e no Ceará, mantendo-se as condições atuais, o partido poderá manter apenas um dos quatro estados que atualmente administra.
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues enfrenta considerável desgaste e uma disputa intensa pela reeleição. O estado, tradicionalmente sob influência do grupo político do senador Jaques Wagner, passa por um momento de divisão interna e crescimento da oposição. No Ceará, Elmano de Freitas também enfrenta obstáculos, em meio a conflitos com o grupo associado ao ex-governador Camilo Santana, atual ministro da Educação. No Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra está impedida de concorrer à reeleição, e o PT não conseguiu estabelecer uma candidatura forte para a sucessão.
O Piauí surge como caso diferenciado. Rafael Fonteles mantém boa aprovação e é considerado favorito à reeleição, apoiado por uma administração vista como eficiente e uma base política unida.
A análise da Arko Advice indica que, até o momento, a influência política do presidente Lula no Nordeste não sofreu impacto significativo. A popularidade pessoal do presidente continua alta na região, parcialmente separada do desempenho dos governadores estaduais. No entanto, o desgaste do PT nos estados onde governa representa um risco considerável.
“Historicamente, o eleitor nordestino diferencia a figura de Lula da identidade partidária do PT. Mas essa diferenciação tem seus limites”, avalia a consultoria. “Se a oposição conseguir aproveitar o desgaste estadual e vincular os problemas locais ao governo federal, poderá haver reflexos na votação de Lula na região.”
A preocupação no círculo de Lula vai além dos resultados da eleição presidencial. A possível perda de três dos quatro governos estaduais teria consequências importantes: diminuição do alcance da campanha, enfraquecimento da estrutura de mobilização e perda de apoio político significativo. Governadores aliados são fundamentais na organização eleitoral, principalmente em estados com grande território e eleitorado disperso.
Adicionalmente, derrotas estaduais podem influenciar o ambiente político da campanha. Em 2022, o avanço petista no Nordeste gerou um clima de mobilização que fortaleceu a candidatura de Lula. Em 2026, o cenário oposto — de postura defensiva nos estados — pode consumir energia e recursos da campanha presidencial.
O Nordeste continua sendo o principal reduto eleitoral de Lula, mas já não é um território de domínio inquestionável. A análise da Arko Advice sugere que o presidente mantém influência política própria na região, mas enfrenta o enfraquecimento da base partidária que sustentou seus triunfos anteriores. A habilidade do PT em reverter a situação estadual nos próximos meses será decisiva para determinar se o Nordeste em 2026 será novamente a base da candidatura petista — ou o primeiro indício de uma transformação eleitoral mais ampla.

