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Justiça

PF encontra citações a políticos em material do caso Master

Trechos apreendidos durante buscas indicam possíveis conexões políticas fora do foco inicial da investigação financeira

PF encontra citações a políticos em material do caso Master

A Polícia Federal (PF) localizou, durante a primeira etapa da Operação Compliance Zero, registros que mencionam lideranças partidárias e ocupantes de cargos protegidos por foro especial.

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Esse tipo de prerrogativa determina que determinadas autoridades só possam ser investigadas e julgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a instância máxima do Judiciário brasileiro.

O conteúdo apareceu após a quebra de sigilos, coleta de documentos e análise do celular do controlador do banco investigado. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

Elementos não ligados diretamente à fraude bancária

Os investigadores avaliam que essas menções não têm ligação direta com a suspeita principal que motivou a operação: a fabricação e negociação de carteiras de crédito consideradas irregulares e a tentativa de venda para o Banco de Brasília (BRB), instituição financeira pública do Distrito Federal.

Ainda assim, o material passou a exigir uma análise paralela, voltada exclusivamente para verificar se houve participação de agentes políticos em fatos distintos dos já apurados.

O empresário investigado tornou-se figura conhecida em Brasília por manter relações frequentes com integrantes do meio político e promover encontros sociais na capital.

Possível divisão do inquérito

A tendência entre investigadores é separar as frentes de apuração. A parte que trata das fraudes financeiras pode seguir para a primeira instância da Justiça Federal, enquanto os trechos que envolvem autoridades permaneceriam sob supervisão do Supremo.

O movimento ocorre em meio a discussões internas no tribunal sobre a permanência do caso na Corte, diante do desgaste gerado por críticas à condução do processo e à manutenção do sigilo.

Ministros do STF chegaram a avaliar o envio do inquérito para instâncias inferiores como forma de reduzir a pressão institucional.

Segunda fase ampliou coleta de dados

A etapa mais recente da operação, realizada em janeiro, reuniu novos elementos que se somam aos dados já obtidos.

Essa fase teve como foco a movimentação de recursos por meio de fundos de investimento ligados à gestora Reag, suspeitos de participar do desvio de valores captados pelo banco privado por meio da venda de CDBs, que são certificados emitidos por instituições financeiras para captar recursos.

Os investigadores aguardam a consolidação dessas informações para produzir um relatório final.

Depoimento nega intermediação política

Como divulgado pelo O Brasilianista, o controlador do banco afirmou em depoimento à Polícia Federal que não contou com qualquer tipo de apoio político para viabilizar negociações com o BRB.

Ele relatou que se reuniu com o governador do Distrito Federal porque o chefe do Executivo local exerce controle indireto sobre o banco público, mas disse que as conversas trataram apenas de temas técnicos.

O empresário foi preso em novembro de 2025 e, após deixar a custódia, passou a usar tornozeleira eletrônica por decisão judicial.

Divergências em acareação no Supremo

Durante a acareação determinada pelo relator do caso no STF, houve discordância entre o empresário e o ex-presidente do banco público sobre a origem dos créditos considerados irregulares.

O sigilo desses depoimentos foi suspenso após solicitação do Banco Central, órgão que fiscaliza o sistema financeiro nacional.

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