O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi indagado pela Polícia Federal (PF) sobre possíveis conexões políticas durante depoimento prestado no fim de dezembro.
A Polícia Federal é o órgão responsável por investigações criminais de âmbito federal. O BRB, por sua vez, é um banco público vinculado ao Governo do Distrito Federal.
Ao responder à delegada responsável pelo caso, ele afirmou: “Se eu tenho tantas relações políticas como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, e não estaria aqui de tornozeleira, e não estaria aqui sendo preso, não estaria com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”.
Encontros com o chefe do Executivo local
De acordo com a CNN Brasil, o empresário reconheceu que se reuniu com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), porque ele exerce o controle indireto sobre o banco público.
Segundo o depoimento, essas conversas tiveram caráter técnico e não envolveram qualquer tipo de intermediação política para viabilizar negócios.
O banqueiro foi detido em novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, antes de embarcar em um voo para Dubai.
Após a prisão, permaneceu sob custódia da PF e, dias depois, obteve liberdade mediante o uso de tornozeleira eletrônica.
A investigação trata de uma negociação bilionária de carteiras de crédito entre o banco privado e a instituição pública do Distrito Federal.
Divergência durante acareação
Durante a acareação realizada por determinação do ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal, houve discordância entre o empresário e o ex-presidente do banco público sobre a origem dos créditos considerados irregulares.
O STF é a instância máxima do Judiciário brasileiro e acompanha o inquérito em razão da presença de autoridades com foro especial.
O sigilo dos depoimentos foi retirado após pedido do Banco Central, órgão que supervisiona o sistema financeiro.
Perfil do empresário investigado
Como divulgado pelo O Brasilianista, Daniel Vorcaro tem 42 anos, é economista formado pelo Ibmec e ganhou projeção no mercado após assumir o controle do Banco Master.
O banco, fundado nos anos 1990, passou por reestruturação em 2018, quando ampliou operações com títulos de crédito.
O empresário também possui participação na Sociedade Anônima do Futebol do Atlético-MG por meio de um fundo de investimento.
Operação federal e liquidação do banco
A Operação Compliance Zero apura a emissão de títulos considerados fraudulentos e a negociação desses papéis no mercado.
A Polícia Federal cumpriu mandados de prisão e de busca em diversos estados após solicitação do Ministério Público Federal.
Horas depois da prisão do controlador, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição e determinou a indisponibilidade de bens de administradores.
A defesa declarou que o empresário não pretendia fugir do país e que a viagem tinha como objetivo tratar de negociações envolvendo a venda do banco.

