O Congresso Nacional retoma hoje os trabalhos sob forte influência do calendário eleitoral. Com as eleições de outubro no horizonte, líderes reconhecem que o período efetivo de votações deve se concentrar até junho, antes do início das campanhas, marcado para 16 de agosto. Nesse contexto, a oposição pressiona pela redução de penas aos condenados por atos golpistas e pela instalação da CPI do Banco Master, enquanto o governo Lula tenta avançar na indicação de Jorge Messias ao STF, além de pautas de segurança pública e medidas provisórias, segundo a Folha de S.Paulo.
O Palácio do Planalto pretende usar o início do ano legislativo para emplacar bandeiras ligadas à estratégia de reeleição do presidente Lula, mas enfrenta o prazo curto e disputas paralelas na agenda do Congresso. Entre os temas que devem dominar o debate estão os vetos ao projeto da dosimetria, que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, e a pressão por uma CPI sobre o Banco Master. Já na primeira semana, a Câmara deve votar a MP do Gás do Povo, que perde validade em 11 de fevereiro, em um gesto do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao Executivo, conforme O Globo.
No campo partidário, o PP anunciou mobilização para derrubar o veto de Lula ao projeto de regularização fundiária na faixa de fronteira. A senadora Tereza Cristina (MS) classificou a decisão como prejudicial a pequenos produtores rurais e prometeu articulação da bancada para reverter a medida no Congresso, informou O Globo.
O Supremo Tribunal Federal também retoma hoje suas atividades em meio a desgastes institucionais e divisões internas relacionadas à investigação do Banco Master. O presidente da Corte, Edson Fachin, solicitou a presença presencial dos ministros na abertura do ano judiciário, numa tentativa de reforçar a imagem de unidade em um ano eleitoral, segundo a Folha de S.Paulo. Paralelamente, cresce a mobilização da sociedade civil por um Código de Conduta e Ética para o STF, iniciativa que já reúne mais de 47 mil assinaturas e envolve entidades como Transparência Brasil e Movimento Pessoas à Frente, de acordo com o Valor Econômico.
Governadores
Nos estados, os governadores iniciam 2026 com intensas articulações eleitorais. Dos 27 chefes de Executivo estadual, 20 já têm destino político definido entre reeleição, disputa ao Senado ou aposentadoria eleitoral, enquanto renúncias previstas até 4 de abril devem alterar o comando de ao menos 13 estados, conforme levantamento da Folha. Em vários deles, vices surgem como candidatos naturais à sucessão, como ocorre em Minas Gerais e no Pará, ainda segundo o jornal.
Na Bahia, o senador Angelo Coronel (PSD) ampliou a pressão sobre o PT ao anunciar intenção de deixar o partido diante da possibilidade de ser excluído da chapa majoritária governista. O movimento tensiona a base do presidente Lula no estado, onde o PSD é um dos principais aliados do PT, informou a Folha de S.Paulo.
Kassab
No plano nacional, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, avançou em articulações ao filiar o governador de Rondônia, Marcos Rocha, fortalecendo a legenda na disputa pelo Senado e ampliando sua liderança entre governadores, em movimento considerado central no xadrez eleitoral de 2026, segundo a Folha.
No Ceará, o ministro da Educação, Camilo Santana, deve deixar o cargo para se dedicar à montagem do palanque de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). Segundo o Valor Econômico, ele já acenou apoio a pelo menos cinco nomes para as duas vagas ao Senado, gesto que expôs fragilidades internas e gerou desconforto no senador Cid Gomes (PSB-CE), aliado histórico e figura-chave da política local.

