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Economia

Saiba quem é Guilherme Mello, indicado por Haddad para diretoria do Banco Central

Economista com trajetória acadêmica na Unicamp possui atuação na formulação de cenários do governo

Saiba quem é Guilherme Mello, indicado por Haddad para diretoria do Banco Central

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, relatou em entrevista à BandNews, que sugeriu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o nome do atual secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, para uma das vagas abertas na diretoria do Banco Central do Brasil.

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De acordo com o ministro, a sugestão foi feita há cerca de três meses e ainda não houve decisão do chefe do Executivo.

Haddad também criticou a divulgação antecipada do nome do economista: “A indicação foi feita há três meses. De lá para cá, não voltamos a conversar. E três semanas atrás, ele (Lula) disse para mim que ia nos chamar para conversar, mas ele não tomou a decisão. O vazamento, se a pessoa quis ajudar, não ajudou. Se quis atrapalhar uma sugestão, ela agiu mal para os envolvidos”, afirmou o economista.

Formação acadêmica e percurso profissional

Como divulgado pelo Ministério da Fazenda, à frente da Secretaria de Política Econômica desde 2023, Mello coordena a produção de cenários oficiais de inflação, crescimento e resultado fiscal utilizados pelo governo.

É graduado em Ciências Sociais pela USP e em Ciências Econômicas pela PUC-SP, com mestrado em Economia Política e doutorado em Ciência Econômica.

No ambiente universitário, atuou como professor do Instituto de Economia da Unicamp, onde também coordenou o programa de pós-graduação em Desenvolvimento Econômico.

Quem é o nome por trás das projeções do governo?

Segundo o portal VEJA, antes de chegar ao ministério, o economista participou de grupos técnicos que discutiram diretrizes econômicas e integrou a equipe de transição do atual governo.

Na função atual, é o responsável por organizar estudos e estimativas que orientam decisões fiscais e macroeconômicas do Executivo.

Essa atuação o colocou no centro das discussões técnicas que sustentam medidas econômicas e respostas a choques externos.

O perfil acadêmico e a ligação com a Unicamp

Como apurado pelo BBC News Brasil, professor licenciado da Unicamp, Mello integra o grupo conhecido como “economistas da Unicamp”, identificado por defender maior protagonismo do Estado na economia.

Essa formação o diferencia de parte dos atuais diretores da autoridade monetária, que têm histórico no mercado financeiro ou na carreira pública.

Para o economista Carlos Kawall, ouvido pela BBC, a diretoria de Política Econômica é estratégica. “A direção de Política Econômica é o coração da política monetária. Ela tem o papel de formulação, de modelagem, pesquisa, produção de relatórios e estudos. É essa diretoria que dá o tom da condução da política monetária. Claro que as decisões são colegiadas, mas essa diretoria tem um peso importante”, disse Kawall.

O que ele pensa sobre juros e política monetária?

De acordo com a Agência InfoMoney, em entrevista concedida em novembro, ao comentar as perspectivas de inflação e atividade, Mello avaliou que o cenário permitiria revisão na condução da política monetária.

“O ministro Fernando Haddad tem confiança nessa trajetória que nossos números, números do BC, e até, em certa medida, os números do mercado mostram, que é o seguinte: vamos ter uma convergência da inflação para meta (de 3%), ela vai levar tempo, não vai ser imediata, assim como vamos ter um ciclo compatível com o nosso potencial daqui para frente. E essa trajetória é uma trajetória benigna que possibilita uma mudança na postura da política monetária”, declarou Mello.

Ele acrescentou: “(A mudança na trajetória) não (seria) também imediata, de ultra restritiva para neutra ou expansiva, não é isso que se fala. O questionamento não é acerca da trajetória, isso todo mundo concorda. A discussão gira em torno do momento, de quando.”

Críticas ao nível atual da Selic

Ainda na mesma ocasião, o secretário classificou a taxa de 15% ao ano como excessivamente restritiva e associou esse patamar ao esfriamento do crédito.

“As políticas, tanto fiscal quanto monetária, têm produzido efeitos reais, portanto a taxa de juros, de fato, tem impactado o mercado de crédito, não é um impacto pequeno. É um impacto, inclusive, que já faz a gente entrar no campo da retração, não da desaceleração do mercado de crédito”, afirmou Guilherme.

O que acontece se a indicação for confirmada?

Segundo o portal VEJA, caso seja escolhido, o economista ocupará uma das vagas atualmente abertas na diretoria da autarquia. A nomeação ainda passará por sabatina no Senado, como prevê a legislação para os cargos do Banco Central. A definição presidencial é aguardada nas próximas semanas.

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