No início de fevereiro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou dois nomes para a diretoria do Banco Central: o economista Tiago Cavalcanti e seu próprio secretário de Política Econômica, Guilherme Mello.
Segundo O Brasilianista, Haddad contou que o presidente Lula entrou em contato com interesse de conversar com os indicados. A reunião ainda não foi marcada.
“Há três meses, quando imaginei que o presidente poderia encaminhar as indicações ao Senado, levei dois nomes que me pareceram muito interessantes”, disse Haddad.
O presidente é quem indica os diretores do BC, mas a escolha precisa passar pelo crivo do Senado, da mesma forma que ocorre com ministros do STF.
Mello vê rumores de forma positiva
Mello encara positivamente os rumores sobre assumir uma diretoria no Banco Central, segundo o Infomoney, mas enfatiza que ainda não recebeu convite formal.
Ele evitou tratar o assunto como certo e afirmou que é cedo para dar detalhes. Lula deve indicá-lo para a diretoria de Política Econômica, responsável pelos modelos que ajudam a definir a Selic.
Professor da Unicamp, Mello participou do programa econômico da campanha de Lula em 2022. Sua experiência acadêmica e proximidade com o PT despertaram alguma desconfiança no mercado, refletida nas taxas de juros de longo prazo.
Política monetária e Selic
O secretário afirmou que não cabe à sua pasta antecipar decisões do Copom, mas vê espaço para reduzir a Selic e disse que o país segue na direção da meta de inflação de 3%.
Ele lembrou que a desaceleração da inflação veio junto com crescimento, mais empregos, investimentos e melhor distribuição de renda, resultado da coordenação entre políticas fiscal, econômica e monetária.
Mello também comentou críticas passadas aos juros altos, dizendo que suas análises eram baseadas em dados concretos e alinhadas ao mercado. Ele reforçou que o ritmo de cortes é decisão exclusiva do Banco Central.
Dívida e economia
A dívida bruta do governo fechou 2025 em 78,7% do PIB, alta de 2,4 pontos percentuais, impulsionada pelos juros, que somaram cerca de R$ 1 trilhão.
O relatório da SPE destaca que crescimento econômico sustentado ajuda a conter a escalada da dívida quando os custos financeiros são altos.
Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, a maior em quase 20 anos. O Banco Central indicou que pode iniciar cortes a partir de março. Mello lembrou que o arcabouço fiscal prevê mecanismos para manter a dívida estável ao longo do tempo.

