O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos a partir de relatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, revelações sobre a intensa circulação do banqueiro Daniel Vorcaro no Banco Central e das medidas emergenciais em estudo pelo Banco de Brasília (BRB).
Em entrevista ao UOL, Lula afirmou que, em encontro com Vorcaro no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, deixou claro que não haveria qualquer interferência política nas apurações sobre o banco. Segundo o presidente, o dono do Master alegou estar sendo alvo de perseguição, mas ouviu que o caso seria tratado exclusivamente de forma técnica pelo Banco Central. “Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica feita pelo Banco Central”, disse Lula, conforme registrado pela Folha de S.Paulo.
Ainda segundo a Folha, Lula afirmou que o encontro não fazia parte de agenda oficial e ocorreu a pedido do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. O presidente disse também que recebe representantes de diversas instituições financeiras e que reafirmou a Vorcaro que caberia ao BC apurar eventuais irregularidades, como quebra financeira ou lavagem de dinheiro. A fraude bilionária atribuída ao Master só veio a público no fim de 2024, após essa reunião.
Paralelamente, reportagens do Estadão revelaram que Daniel Vorcaro esteve ao menos 17 vezes nas dependências do Banco Central, em Brasília e São Paulo, ao longo de 2025. Os registros, obtidos via Lei de Acesso à Informação, mostram que o banqueiro participou de reuniões com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, além de diretorias e departamentos estratégicos, em momentos decisivos das tentativas de socorro, venda do banco ao BRB e, posteriormente, do processo de liquidação.
De acordo com o Estadão, embora todos os encontros constassem na agenda oficial de Galípolo, em pelo menos duas ocasiões Vorcaro permaneceu no BC por mais que o dobro do tempo previsto. Em abril, ele ficou quase três horas em reuniões agendadas para uma hora. Em julho, chegou a passar mais de oito horas na autarquia. Nesse período, o Banco Master já acessava recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), enquanto o BC demonstrava preocupação com o risco de contaminação financeira do BRB.
Diante das perdas decorrentes das operações com o Banco Master, o Banco de Brasília deve apresentar ao Banco Central um plano de capitalização para recompor seu patrimônio, segundo a Folha de S.Paulo. A proposta prevê diferentes alternativas e poderá ser executada em até 180 dias, caso seja aprovada. Entre as opções discutidas está uma linha emergencial de crédito do FGC, com ativos do governo do Distrito Federal como garantia, medida que ainda dependerá de aval da Câmara Legislativa do DF.
O caso segue sob investigação e amplia a pressão sobre o Banco Central, o sistema financeiro e o governo, em meio ao debate sobre supervisão bancária, riscos sistêmicos e transparência nas relações entre autoridades e instituições financeira

