Publicidade
Geopolítica

Bitcoin cai ao menor patamar em mais de um ano mesmo com agenda pró-cripto na Casa Branca

Nomeação para o banco central americano, juros elevados e mudança no humor dos investidores ajudam a explicar a desvalorização recente

Bitcoin cai ao menor patamar em mais de um ano mesmo com agenda pró-cripto na Casa Branca

O valor do bitcoin recuou para cerca de US$ 65 mil, nível que não era visto desde outubro de 2024. A queda ocorre após a moeda digital ter alcançado US$ 122 mil no fim do ano passado. Desde janeiro, a desvalorização acumulada passa de 20%.

Publicidade

O movimento surpreende porque acontece em um momento em que o presidente americano, Donald Trump, mantém postura pública favorável às criptomoedas.

Logo no início do novo mandato, ele assinou uma ordem executiva com a meta de transformar os Estados Unidos na “capital mundial das criptomoedas”. As informações são do portal BBC News.

O governo também aprovou uma lei de respaldo federal ao setor, encerrou uma força-tarefa do Departamento de Justiça dedicada a fiscalizar criptoativos e reduziu o ritmo de investigações da Comissão de Valores Mobiliários americana (SEC) sobre o tema.

O peso da política monetária

Analistas do Deutsche Bank relacionaram a queda recente à escolha de Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve, o banco central dos EUA.

Parte do mercado avalia que a nova liderança pode manter juros elevados por mais tempo. Taxas altas tendem a reduzir o apetite por ativos considerados mais arriscados, como criptomoedas, e direcionar recursos para aplicações tradicionais em dólar.

O banco alemão observou ainda uma mudança no comportamento dos investidores tradicionais, com redução do interesse por ativos digitais nos últimos meses e aumento do ceticismo em relação ao setor.

De ativo especulativo a fase mais “realista”

Para o Deutsche Bank, o bitcoin atravessa uma transição. Deixa de ser visto apenas como instrumento de especulação rápida e passa a buscar um papel mais definido dentro do sistema financeiro.

William Barhydt, diretor da Abra Capital Management, empresa focada em criptoativos, considera que oscilações intensas fazem parte da história do bitcoin e acredita em recuperação futura, a menos que eventos geopolíticos graves alterem completamente o cenário global.

Outras moedas digitais conhecidas, como ethereum e solana, também registram perdas expressivas em 2026, com quedas próximas de 37%.

Levantamento da CoinGecko indica que o mercado cripto perdeu mais de US$ 1 trilhão em valor apenas no último mês e cerca de US$ 2 trilhões desde o pico registrado em outubro.

A empresa de investimentos Stifel projeta que o bitcoin ainda pode recuar até a faixa de US$ 38 mil, acompanhando mais de perto as variações do dólar americano, que atingiu recentemente seu nível mais baixo em quatro anos.

O presidente e sua ligação com o setor

Como divulgado pelo O Brasilianista, a relação de Donald Trump com o universo cripto não começou no governo. Antes da política, ele construiu carreira no mercado imobiliário e em negócios ligados a marcas e licenciamentos.

Formado pela Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, ganhou projeção pública ao associar seu nome a empreendimentos empresariais em Nova York e em outras cidades americanas.

Ao assumir a Presidência, manteve proximidade com investimentos em ativos digitais, incluindo a criação de sua própria criptomoeda e participação em veículos financeiros ligados ao setor.

Decisões que repercutiram no mundo

Segundo O Brasilianista, o primeiro ano do segundo mandato foi marcado por medidas que geraram efeitos internacionais, como políticas migratórias rígidas, aumento de tarifas de importação, anistia a envolvidos na invasão do Capitólio e ações militares na América Latina.

Nesse contexto, a política econômica americana, as tensões comerciais e a condução da política monetária passaram a influenciar não apenas mercados tradicionais, mas também o comportamento dos investidores em criptomoedas.

A volatilidade do bitcoin, portanto, não ocorre isoladamente, mas dentro de um ambiente político, econômico e geopolítico mais amplo.

Acompanhe a política internacional. Siga O Brasilianista!