O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na última quinta-feira (05), em Brasília, com o primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin. O encontro ocorreu no Palácio do Itamaraty e teve como foco temas da agenda bilateral e questões do cenário internacional.
De acordo com o G1, após a reunião, os dois governos divulgaram uma nota conjunta defendendo o multilateralismo nas relações globais e a não intervenção de outros países na América Latina. A manifestação ocorre em um contexto de tensões internacionais e entraves ao comércio mundial.
Mishustin liderou uma delegação formada por ministros e representantes de agências do governo russo, que participaram da VIII Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação.
Comissão bilateral e expectativas comerciais
Criada em 1997, a Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação é presidida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo chefe do governo russo. O grupo funciona como principal instância de coordenação entre os dois países.
De acordo com o Itamaraty, Lula destacou durante o encontro a necessidade de acompanhar os acordos firmados. O objetivo, segundo o governo brasileiro, é garantir que as iniciativas resultem em benefícios práticos para ambos os lados. Os dois líderes reconheceram que o comércio bilateral segue abaixo do potencial das economias brasileira e russa.
Números do intercâmbio e parceria estratégica
Em 2025, o fluxo comercial entre Brasil e Rússia somou US$ 10,9 bilhões. As exportações brasileiras chegaram a US$ 1,5 bilhão, enquanto as importações alcançaram US$ 9,4 bilhões, indicando saldo desfavorável ao Brasil.
Após a reunião da comissão, os países divulgaram uma declaração conjunta reafirmando o compromisso com o fortalecimento da parceria estratégica. O texto destaca a intenção de ampliar a base econômico-comercial e diversificar a pauta de produtos:
“O Vice-Presidente da República Federativa do Brasil e o Presidente do Governo da Federação da Rússia mencionaram, entre as prioridades do fortalecimento da parceria estratégica bilateral, a ampliação de sua base econômico-comercial, mesmo em contexto de desafios externos, de modo a ampliarem-se as trocas comerciais, assim como promover maior variedade da pauta comercial, inclusive com produtos de alto valor agregado”.
BRICS e América Latina
A declaração também aborda a atuação conjunta no BRICS. Brasil e Rússia confirmaram o compromisso com a continuidade do bloco e manifestaram apoio à presidência da Índia em 2026, incluindo a organização da próxima cúpula do grupo.
Outro ponto citado foi a defesa da América Latina e do Caribe como zona de paz. Os países ressaltaram a importância do respeito mútuo, da solução pacífica de conflitos e da não intervenção externa, conforme acordos regionais já firmados.

