O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em Salvador, que a experiência das policlínicas regionais da Bahia servirá de referência para ampliar o atendimento especializado no Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país.
Segundo ele, 13 ordens de serviço já foram emitidas neste início de ano para a construção de novas unidades em nove estados, somando R$ 390 milhões em investimentos.
Na Bahia, duas estruturas em Camaçari e Remanso devem ser entregues ainda em 2026. As demais têm cronograma entre 2027 e 2028.
O presidente relacionou o modelo à continuidade administrativa nas gestões de Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues, destacando a regionalização do atendimento e a integração com os municípios. As informações são do portal BNews.
“As policlínicas da Bahia são um grande exemplo de como é possível garantir que a população tenha acesso a consultas, exames e tratamentos especializados em um só espaço, ganhando tempo, economizando em viagens, evitando longas filas e recebendo um atendimento mais digno”, afirmou Lula.
Saúde bucal e unidades móveis
As Unidades Odontológicas Móveis foram apresentadas como solução para cidades sem estrutura fixa. Para receber os equipamentos, os municípios precisam manter equipes de saúde bucal e participar do custeio.
“Pois não há nada mais triste do que deixar uma unidade móvel parada enquanto as pessoas que precisam de atendimento não têm a quem recorrer”, disse o presidente.
O governo federal repassa recursos mensais às prefeituras e monitora o funcionamento. Em 2025, mais de 400 unidades foram entregues. Com as remessas previstas para 2026, o total deve alcançar 800 veículos em operação.
Durante a agenda, seis novas unidades foram destinadas a municípios baianos, dentro de um lote de 32 previstas para o estado até o fim do ano.
Agora Tem Especialistas e as filas do SUS
O presidente citou o programa Agora Tem Especialistas como instrumento para enfrentar a espera por exames e cirurgias.
Atualmente, 47 carretas percorrem o país oferecendo serviços como mamografia, exames ginecológicos, cirurgias de catarata e exames de imagem. A meta é chegar a 150.
Mutirões realizados em hospitais universitários e filantrópicos, ampliação de turnos e reativação de áreas paradas resultaram em mais de 100 mil procedimentos. Hospitais que aderiram ao programa também receberam equipamentos.
Parcerias com redes privadas, como Rede D’Or, Hapvida e Amil, permitem a troca de dívidas federais por atendimentos ao SUS, gerando 85 mil cirurgias e exames adicionais por ano.
O país ampliou ainda a rede de radioterapia para 360 aceleradores lineares e passou a utilizar o teste nacional DNA-HPV para rastreamento do câncer do colo do útero, com meta de 1,4 milhão de exames. “Não há dúvidas de que iremos reduzir essas filas”, afirmou.
BahiaFarma e a reindustrialização da saúde
O presidente destacou a BahiaFarma como peça central do Complexo Industrial da Saúde. Em 2025, a instituição recebeu R$ 183 milhões para modernização, produção de medicamentos e testes diagnósticos.
Há projetos voltados à fabricação de biológicos para tratamento de câncer e doenças raras, além de pesquisas para doença falciforme e neuropatia diabética. A meta é reduzir a dependência de insumos importados e ampliar a oferta ao SUS.
Debate sobre judicialização e custos
Como divulgado pelo O Brasilianista, a ampliação da oferta de serviços ocorre em paralelo ao debate na Câmara dos Deputados do Brasil sobre o aumento de ações judiciais movidas por pacientes para obter tratamentos e medicamentos fora das listas oficiais.
A audiência pública anunciada para discutir o tema pretende avaliar o impacto financeiro dessas decisões. Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam centenas de milhares de processos relacionados à saúde em tramitação e gastos bilionários associados a ordens judiciais.
Investimentos do Novo PAC na saúde
De acordo com o portal BNews, o presidente afirmou que o Novo PAC destinará R$ 21,6 bilhões à saúde até o fim do ano, sendo R$ 2,4 bilhões na Bahia.
Os recursos contemplam construção de hospitais, unidades básicas, estruturas móveis e fortalecimento da produção de medicamentos.
A proposta, segundo ele, é aproximar os serviços da população, reduzir deslocamentos e garantir atendimento no tempo adequado.

