O Banco Central deve revisar parte das regras do Fundo Garantidor de Créditos nos próximos meses ou no começo de 2027. A sinalização foi feita pelo diretor de Regulação e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução da instituição, Gilneu Vivan, em meio aos desdobramentos envolvendo a liquidação extrajudicial de duas instituições financeiras que movimentaram o mercado e exigiram pagamentos bilionários em garantias.
A declaração ocorre após o FGC desembolsar mais de R$ 40 bilhões para cobrir valores devidos a clientes e credores ligados ao Banco Master e ao Will Bank. O cenário trouxe discussões sobre a eficiência das regras atuais e levantou questionamentos sobre o tempo de resposta diante de crises bancárias.
Durante participação em evento da Associação Brasileira de Bancos, realizado em São Paulo, o diretor também indicou que o cronograma regulatório inclui novas normas para distribuição de títulos e medidas adicionais voltadas à prevenção de fraudes. Ele ainda mencionou a possibilidade de análise sobre tarifas, mas sem apresentar detalhes sobre mudanças concretas.
Ajustes regulatórios e impacto das liquidações
Segundo o G1, Vivan afirmou que a agenda regulatória deve concentrar esforços na modernização de instrumentos de proteção do sistema financeiro e no fortalecimento da segurança contra irregularidades. As discussões ganham força após os episódios recentes envolvendo as duas instituições financeiras que tiveram atividades encerradas.
A liquidação extrajudicial acontece quando o Banco Central determina o fim das operações de um banco que não consegue mais manter suas atividades. Nesse processo, um liquidante assume o comando, encerra contratos, vende ativos e organiza o pagamento dos credores conforme a ordem prevista na legislação até a extinção total da empresa.
No caso do Banco Master, a decisão foi motivada pelo agravamento da situação financeira, pela ausência de recursos para cumprir compromissos e pelo descumprimento de normas bancárias e determinações do próprio regulador. Já a liquidação do Will Bank ocorreu após deterioração financeira e incapacidade de quitar dívidas, além de relação de interesses com o Banco Master.
Mesmo com a dimensão dos casos, o Banco Central avaliou que os problemas ficaram concentrados nessas instituições. O órgão não identificou alterações relevantes na captação de recursos de outros bancos de pequeno e médio porte.
Aprendizados institucionais e alcance do problema
Vivan também indicou que o episódio trouxe aprendizados para a atuação do regulador. Ele reconheceu que o tempo até a decretação da liquidação do Banco Master foi maior do que considerava ideal e que o processo ainda gera questionamentos.
Outro ponto citado foi o tamanho das operações envolvidas e o número de clientes impactados. “No caso do Master, a gente tem 1 milhão de correntistas. E no caso da Will, são quase 7 milhões. Evidentemente, o debate é complexo”, afirmou.
Nos últimos meses, o Banco Master passou a ser alvo de questionamentos e decisões que envolveram diferentes instituições públicas. O caso mobilizou o Banco Central, o Tribunal de Contas da União e o Supremo Tribunal Federal.
A crise teve início após suspeitas sobre operações financeiras realizadas pelo banco. A partir disso, o regulador determinou a liquidação extrajudicial. A decisão acabou sendo contestada e abriu espaço para discussões sobre os fundamentos técnicos e jurídicos da medida.
As investigações evoluíram para além do campo policial e passaram a envolver debates sobre estabilidade do sistema financeiro, atuação de órgãos reguladores e o papel de diferentes instâncias do Estado. As apurações passaram a analisar possíveis fraudes, desvios de recursos e eventuais tentativas de interferência em decisões regulatórias. Parte dessas investigações segue sob sigilo no Supremo Tribunal Federal.

