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Política

Nova direção no Conselho de Comunicação do Congresso redesenha debates sobre IA, eleições e proteção digital

Escolha da presidência ocorre em meio a pressões por respostas rápidas a temas que afetam imprensa

Nova direção no Conselho de Comunicação do Congresso redesenha debates sobre IA, eleições e proteção digital

Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional elegeu sua nova direção na primeira reunião da sétima composição do colegiado.

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A presidência ficou com Patrícia Blanco e a vice-presidência com Ângela Cignachi, ambas representantes da sociedade civil e reconduzidas ao órgão.

A escolha ocorreu por aclamação, sem candidaturas concorrentes, logo após a posse dos conselheiros eleitos pelo Congresso.

A reunião marcou não apenas a transição de comando, mas o início de um ciclo que já nasce pressionado por pautas que impactam diretamente eleições, plataformas digitais, proteção de crianças na internet e sustentabilidade do jornalismo.

De acordo com a Agência Senado Notícias, a nova mesa substitui a gestão anterior, comandada por Miguel Matos, advogado e empresário que conduziu debates técnicos sobre redes sociais e serviços de streaming no último período.

O que é o Conselho?

O Conselho não cria leis. Sua função é emitir estudos, pareceres e recomendações quando deputados e senadores solicitam análises sobre projetos ligados à comunicação social.

Isso inclui propostas sobre:

  • Regulação de plataformas digitais;
  • Direitos autorais no ambiente online;
  • Regras para streaming e audiovisual;
  • Proteção de crianças e adolescentes na internet;
  • Sustentabilidade do jornalismo profissional.

Segunda a Agência Senado Notícias, o colegiado é previsto na Constituição de 1988 e regulamentado pela Lei 8.389/1991.

Ele reúne 13 titulares e 13 suplentes, indicados por entidades de rádio, TV, imprensa escrita, cinema, trabalhadores da comunicação, engenheiros da área e sociedade civil. O mandato é de dois anos, com possibilidade de recondução.

Por que a eleição da nova presidência muda o ritmo dos debates?

A mudança de comando ocorre em um ano eleitoral e em meio a projetos de lei que já estão prontos para votação no Congresso. Isso altera a urgência do trabalho do Conselho.

Durante a reunião, diversos conselheiros indicaram que a atuação do grupo não pode seguir o ritmo tradicional de debates longos.

A necessidade agora é produzir contribuições técnicas rápidas, antes que o Congresso vote temas considerados sensíveis.

ECA Digital

Ao final do encontro, ficou definida a pauta da próxima reunião, marcada para 2 de março. A audiência pública da manhã será dedicada à aplicação do chamado ECA Digital, conjunto de regras que passa a valer agora em março e que trata da proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.

O tema envolve:

  • Classificação indicativa em plataformas;
  • Verificação de idade de usuários;
  • Responsabilidade de redes sociais e aplicativos;
  • Papel da Autoridade Nacional de Proteção de Dados.

A escolha desse tema como primeira audiência não foi casual. Conselheiros alertaram que a lei já entra em vigor e ainda há dúvidas sobre como será aplicada na prática.

Foco no projeto que regula o streaming no Brasil

Na mesma data, o colegiado decidiu convidar o relator do projeto que regulamenta os serviços de vídeo sob demanda no Senado para explicar o estágio da proposta.

Esse projeto pode definir:

  • Cobrança de contribuição para o audiovisual (Condecine);
  • Obrigações de investimento em conteúdo nacional;
  • Regras para exibição de obras brasileiras;
  • Impactos sobre trabalhadores do setor audiovisual.

A intenção não é rediscutir o texto do zero, mas oferecer ao relator contribuições baseadas no que o Conselho já produziu em debates anteriores.

IA, deepfakes e eleições já entram na agenda do colegiado

Outro eixo que dominou as falas dos conselheiros foi o uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais.

Foram citados temas como:

  • Manipulação de imagens e vozes (deepfake);
  • Conteúdo sintético em propaganda política;
  • Desinformação automatizada;
  • Normas que o Tribunal Superior Eleitoral deve publicar em breve.

Integrantes defenderam que o Conselho produza análises antes mesmo da publicação definitiva dessas regras, para que o Congresso tenha base técnica ao discutir possíveis ajustes na legislação.

Preocupação com jornalistas, saúde mental e precarização do trabalho

A reunião também revelou um eixo menos visível, mas considerado urgente pelos conselheiros: as condições de trabalho de jornalistas, radialistas, artistas e profissionais do audiovisual.

Foram citados:

  • Crescimento do assédio online contra comunicadores, especialmente mulheres;
  • Aumento da autocensura por medo de ataques digitais;
  • Precarização de vínculos de trabalho;
  • Impactos psicológicos da exposição constante à violência informacional.

A presidente mencionou dados internacionais que indicam queda global nos índices de liberdade de expressão e aumento da violência contra profissionais da comunicação.

Comunicação pública, diversidade e vozes invisibilizadas

Outro ponto recorrente foi a necessidade de discutir a comunicação pública e a presença de vozes negras, indígenas e comunitárias na mídia.

Conselheiros defenderam que o colegiado debata:

  • Funcionamento e financiamento de rádios e TVs públicas;
  • Critérios de diversidade na produção de conteúdo;
  • Comunicação comunitária;
  • Representatividade nos próprios espaços de decisão.

A nova composição sinalizou que pretende ampliar o escopo tradicional do debate sobre comunicação, incluindo temas de inclusão e participação social.

A expectativa é de atuação mais direta com deputados e senadores

A presença de um deputado na reunião foi destacada como um sinal da aproximação que o Conselho deseja estabelecer com o Parlamento.

A nova presidência indicou que pretende levar relatórios e estudos diretamente aos gabinetes, em vez de esperar solicitações formais.

Essa estratégia busca fazer com que o trabalho técnico do colegiado influencie projetos antes que eles cheguem ao plenário.

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