A agenda econômica desta semana foi marcada por alertas fiscais, discussões sobre sustentabilidade das contas públicas, movimentações relevantes no mercado financeiro e o avanço de investigações com impacto político. Entrevistas e reportagens de O Globo, Valor Econômico, Estadão e Folha de S.Paulo mostram um governo pressionado a conter gastos obrigatórios, enquanto lida com incertezas externas e ruídos no sistema financeiro.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, defendeu a necessidade de desacelerar o crescimento das despesas obrigatórias para abrir espaço a investimentos públicos, apontando a Previdência e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) como os principais vetores de pressão fiscal. Apesar das mudanças aprovadas no BPC, os gastos cresceram cerca de 9% no ano passado. Ceron afirmou que o foco do governo em 2026 é cumprir a meta fiscal de superávit de 0,25% do PIB (R$ 34 bilhões), mas reconheceu preocupação com o desempenho das estatais ( O Globo ).
Na mesma entrevista, Ceron disse estar disposto a permanecer no governo após a saída do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, prevista para este mês. A expectativa, segundo o jornal, é que o secretário-executivo Dario Durigan assuma o comando da pasta, com Ceron ocupando a posição de número dois, hipótese que ele evita confirmar publicamente ( O Globo ).
Dados levantados pelo Tesouro Nacional a pedido do Valor Econômico mostram que o déficit da Previdência, considerando trabalhadores do setor privado, servidores federais e militares, saltou de 2,64% do PIB em 2015 para 3,42% em 2025. Em valores reais, o rombo passou de R$ 271,7 bilhões para R$ 442 bilhões, alta de 62,6%. Técnicos do governo e economistas avaliam que, apesar dos efeitos positivos da reforma de 2019, uma nova reforma previdenciária será necessária até 2030 ( Valor ).
No mercado financeiro, a orientação do governo chinês para que bancos reduzam a compra de títulos da dívida dos Estados Unidos derrubou o dólar ao menor nível desde maio de 2024. A moeda fechou a R$ 5,18, enquanto o Ibovespa avançou 1,80% e superou, pela primeira vez, os 186 mil pontos. No mesmo dia, o Tesouro Nacional captou US$ 4,5 bilhões em sua primeira emissão externa do ano, com títulos de 10 anos e a reabertura de papéis com vencimento em 2056 ( Estadão e O Globo ).
Master
As investigações envolvendo o Banco Master continuam a se expandir e já são vistas como ameaça por políticos de partidos do centrão e da esquerda. Segundo a Folha de S.Paulo, aliados levaram ao Planalto o alerta de que a Polícia Federal estaria avançando sobre nomes com foro privilegiado, o que poderia atingir o PT e seus aliados. A PF já identificou indícios de envolvimento de políticos em supostos desvios ligados ao banco.
No sistema financeiro, o Banco Central estuda revisar regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ainda este ano ou no início de 2027. A lista de entregas inclui mudanças na distribuição de títulos, prevenção a fraudes e revisão de tarifas, segundo o diretor Gilneu Vivan, durante evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC) ( Folha ).
Paralelamente, o conselho do FGC aprovou medidas para recompor sua liquidez após as indenizações relacionadas ao Banco Master, que podem chegar a R$ 55 bilhões. O plano prevê antecipação de contribuições e cobrança de alíquota extraordinária ao setor financeiro, ainda pendente de aval do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional ( Valor Econômico ).
O escândalo também tem efeitos políticos no Distrito Federal. O governador Ibaneis Rocha (MDB) cancelou um jantar com deputados de sua base após risco de esvaziamento do encontro, em meio à crise envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) ( Folha ).
No Congresso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afastou a possibilidade de abertura de uma CPI para investigar o Banco Master ao afirmar que seguirá a ordem cronológica dos 16 pedidos já protocolados. Na prática, a decisão inviabiliza a instalação da comissão solicitada na semana passada ( Coluna do Estadão ).

