O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em três dos quatro cenários de primeiro turno testados para a eleição presidencial de 2026. Os dados fazem parte de uma pesquisa do instituto Futura, divulgada nesta terça-feira (10), e indicam uma corrida eleitoral equilibrada, com os dois principais nomes separados por margens pequenas e dentro do intervalo de empate técnico.
Embora Flávio lidere em intenção de voto na maioria das simulações, a diferença em relação a Lula não ultrapassa a margem de erro do levantamento, que é de 2,2 pontos percentuais. O cenário revela um quadro de disputa aberta, ainda em fase inicial, e com espaço relevante para mudanças ao longo do tempo.
No primeiro cenário analisado, Flávio Bolsonaro registra 37,2% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 35,9%. A vantagem do senador é de 1,3 ponto percentual, o que caracteriza empate técnico, de acordo com os critérios estatísticos do estudo. Ainda nesse recorte, outros possíveis candidatos surgem com percentuais mais baixos. Ratinho Jr (PSD) soma 6,1%, Romeu Zema (Novo) tem 4,9%, Renan Santos aparece com 1,9% e Aldo Rebelo registra 1,2%. Eleitores que declararam voto em branco, nulo ou em nenhum dos nomes chegam a 7,7%, e os indecisos representam 5,1%.
Disputa apertada em diferentes cenários
No segundo cenário testado pelo instituto, a distância entre os dois principais candidatos diminui ainda mais. Flávio Bolsonaro aparece com 35,7%, enquanto Lula soma 35,3%. A diferença de 0,4 ponto percentual reforça o quadro de equilíbrio. Nesse cenário, Ronaldo Caiado (União) registra 6,6% das intenções de voto, seguido por Romeu Zema, com 6,5%. Renan Santos alcança 2,1% e Aldo Rebelo, 1,1%. Os votos em branco, nulo ou nenhum totalizam 7,8%, e os indecisos chegam a 4,9%.
Já no terceiro cenário, Flávio Bolsonaro atinge o melhor desempenho entre todas as simulações realizadas. O senador alcança 38,7% das intenções de voto, ampliando a vantagem numérica sobre Lula, que aparece com 35,4%. Apesar disso, a diferença ainda permanece dentro da margem de erro. Na sequência, Romeu Zema registra 6,6%, Eduardo Leite (PSD) soma 3,6%, Renan Santos tem 3,3% e Aldo Rebelo marca 0,9%. Nesse cenário, 7,1% dos entrevistados afirmam não votar em nenhum dos candidatos apresentados, enquanto 4,5% dizem não saber ou preferem não responder.
Cenário com Tarcísio altera liderança
A única simulação em que Lula aparece à frente ocorre quando o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é incluído na disputa. No quarto cenário, o presidente soma 36,7% das intenções de voto, contra 34,2% de Flávio Bolsonaro. Tarcísio aparece em terceiro lugar, com 9,8%, percentual superior ao dos demais candidatos testados nos outros cenários.
Romeu Zema registra 4,0% nessa simulação, Renan Santos aparece com 3,2% e Aldo Rebelo soma 1,8%. Os votos em branco, nulo ou nenhum totalizam 7,2%, enquanto os indecisos representam 3,0%. Esse cenário indica que a presença de um nome competitivo associado ao campo bolsonarista pode alterar o equilíbrio da disputa e favorecer Lula numericamente.
Metodologia e contexto político
A pesquisa Futura ouviu 2.000 eleitores em 769 cidades brasileiras, entre os dias 3 e 7 de fevereiro, por meio de entrevistas telefônicas assistidas por computador, método conhecido como CATI. O nível de confiança do levantamento é de 95%, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Os resultados indicam que, a pouco mais de um ano do início formal da campanha presidencial, o cenário ainda é marcado por incertezas. O volume de eleitores indecisos e de votos brancos ou nulos permanece relevante em todos os cenários, o que sugere espaço para rearranjos conforme o debate eleitoral avance e as candidaturas se consolidem.
Além disso, a variação nos resultados conforme a composição dos cenários reforça o peso estratégico das alianças e da definição de candidaturas no campo da direita e da centro-direita.

