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Ricardo Cappelli

BRB: juros altos para quem trabalha, bilhões fáceis para escândalos

Sem desenvolvimento, não há sentido público. Sem sentido público, não há banco que se justifique

BRB: juros altos para quem trabalha, bilhões fáceis para escândalos

O Banco de Brasília nasceu com uma missão clara: ser instrumento de desenvolvimento do Distrito Federal. No entanto, a prática recente impõe um contraste incômodo.

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De um lado, servidores públicos, micro, pequenos e médios empreendedores relatam financiamentos com juros elevados, prazos apertados e pouco fôlego para quem produz, gera emprego e mantém a economia local girando.

Do outro, surgem operações financeiras bilionárias ligadas ao escândalo envolvendo o BRB e o banco Master, valores que destoam da realidade enfrentada por quem depende do crédito no dia a dia.

A pergunta que se impõe é simples e incômoda: a quem o banco público está servindo? Um banco estatal não existe para maximizar lucro a qualquer custo, nem para se lançar em aventuras financeiras de alto risco.

Ele só faz sentido se for, essencialmente, um banco de desenvolvimento — capaz de induzir crescimento, reduzir desigualdades e apoiar quem sustenta a base econômica da cidade.

Quando as taxas cobradas de servidores e empreendedores se aproximam das praticadas por bancos privados, o BRB perde sua razão de ser.

O crédito público deveria funcionar como alavanca, não como obstáculo. Juros mais baixos, políticas anticíclicas e foco em investimento produtivo são instrumentos clássicos de desenvolvimento, não concessões populistas.

O contraste com o escândalo do banco Master agrava o cenário. Bilhões movimentados em operações questionadas lançam sombra sobre a governança e reforçam a sensação de que o risco é socializado enquanto o custo recai sobre quem menos pode pagar.

Um banco público não pode tratar o pequeno tomador como fonte de rentabilidade fácil enquanto assume exposições gigantescas em negociações opacas.

Brasília foi concebida como projeto de futuro. E, como lembrou Juscelino Kubitschek, “o desenvolvimento não se improvisa; constrói-se com coragem, planejamento e compromisso com o amanhã”.

O BRB precisa decidir se quer ser parte desse amanhã ou apenas mais um banco distante da sociedade que o sustenta. Sem desenvolvimento, não há sentido público. Sem sentido público, não há banco que se justifique.

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