A disputa pelo Governo do Distrito Federal começa a ganhar contornos mais definidos. Em entrevista ao site O Brasilianista, o jornalista e presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli (PSB), confirmou que está mantida sua pré-candidatura ao GDF. E mais do que se colocar no cenário eleitoral, Cappelli adotou um discurso firme ao defender o impeachment do governador Ibaneis Rocha (MDB) e ao atribuir a ele responsabilidade direta pela crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
“A gente precisa salvar o BRB, é um importante banco de desenvolvimento do Distrito Federa;”, afirmou o pré-candidato ao comentar os desdobramentos do caso. Para Cappelli, Ibaneis deveria ser afastado do cargo. Segundo ele, o presidente do BRB “jamais compraria títulos podres se não fosse orientação de Ibaneis” e concluiu: “ele conduziu o banco para esse buraco”.
As declarações ocorrem em meio a um cenário institucional ainda em aberto. Na última segunda-feira (9/2), a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) arquivou um dos pedidos de impeachment contra o governador. Outros cinco seguem aguardando análise na Casa. Os pedidos serão avaliados pela Procuradoria-Geral da CLDF em ordem cronológica, sem prazo definido para conclusão.
Dança das cadeiras
A crise também produziu efeitos na estrutura do banco. O BRB informou, em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo renunciou ao cargo de diretor Jurídico da instituição. A saída será efetivada no próximo sábado (14). O banco reafirmou compromisso com ética, responsabilidade e transparência, mas não detalhou os motivos da renúncia nem anunciou o substituto.
Jacques Veloso havia sido indicado ao cargo pelo governador Ibaneis Rocha, em agosto de 2024, para completar o mandato iniciado em 2022. Tomou posse oficialmente em dezembro daquele ano e também integrava o Comitê de Auditoria do banco. Sua saída ocorre em meio à repercussão do envolvimento do BRB com o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025.
Banco Master
O caso Master é o ponto central da crise. Em 2025, o BRB anunciou a intenção de adquirir o controle do banco. A operação foi aprovada pelo Cade em junho, mas rejeitada pelo Banco Central em setembro. Pouco depois, o Master foi liquidado. Em depoimento à Polícia Federal no fim de 2025, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirmou que as operações com o Master teriam provocado um rombo estimado em R$ 5 bilhões no balanço do BRB.
Capelli
Durante a entrevista, Cappelli também declarou confiar no trabalho da Polícia Federal e defendeu a apuração rigorosa das responsabilidades. Ao colocar o episódio no centro do debate político, o presidente da ABDI sinaliza que pretende transformar a crise do BRB em um dos principais eixos de sua pré-campanha.

