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Economia

CRI e CRA: como funcionam os certificados que transformam dívidas em investimento?

Papéis de renda fixa ligados ao setor imobiliário e ao agronegócio convertem pagamentos futuros em títulos negociados por investidores

CRI e CRA: como funcionam os certificados que transformam dívidas em investimento?

De acordo com o portal InfoMoney, CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) são títulos de renda fixa criados a partir da chamada securitização.

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Esse processo transforma parcelas que empresas têm a receber, como prestações de imóveis vendidos ou contratos ligados à produção agrícola, em papéis que podem ser adquiridos por investidores.

Em vez de esperar anos para receber esses valores, a empresa antecipa o dinheiro ao vender esses créditos para uma securitizadora, que organiza a emissão dos certificados no mercado.

Como divulgado pelo portal InvesTalk, a lógica é: o investidor compra o título, a empresa recebe recursos imediatos e o retorno vem ao longo do tempo, conforme os pagamentos originais são quitados por quem tomou o financiamento.

De onde vem o dinheiro que paga o investidor?

Segundo o portal InfoMoney, a principal diferença entre os dois papéis está na origem dos créditos que servem de base para a operação.

No CRI, os valores estão ligados a financiamentos imobiliários, aluguéis de longo prazo ou contratos de construção.

Já no CRA, os recebíveis vêm de atividades do campo, como custeio de safra, compra de máquinas, armazenamento e comercialização de grãos.

Isso significa que o retorno do investidor depende diretamente da capacidade de pagamento dessas operações originais, e não da saúde financeira da securitizadora que emitiu o papel.

Como funciona a remuneração?

A remuneração desses títulos segue os modelos tradicionais da renda fixa:

  • Taxa prefixada, definida no momento da compra;
  • Taxa atrelada ao CDI ou à Selic;
  • Modelo híbrido, que combina inflação (IPCA ou IGP-M) com uma taxa fixa.

Como divulgado pelo portal Safra, essa diversidade de indexadores e prazos exige atenção ao perfil do investidor e ao horizonte de aplicação, já que cada estrutura responde de forma diferente às mudanças da economia.

Liquidez e prazo: ponto de atenção

O CRIs e CRAs costumam ter vencimentos longos, que podem ultrapassar 10 anos. Isso faz com que sejam considerados investimentos de baixa liquidez.

Caso o investidor precise sair antes do prazo, ele depende do mercado secundário para encontrar outro interessado no papel, o que nem sempre acontece com facilidade.

Embora esse mercado tenha evoluído, a saída antecipada ainda pode envolver dificuldade ou perdas financeiras.

Riscos e ausência do FGC

Um ponto central é que esses títulos não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), diferente de produtos como LCI, LCA e CDB.

O risco está vinculado à qualidade dos recebíveis que lastreiam a emissão. Por isso, é comum que CRIs e CRAs tenham classificação de risco (rating) atribuída por agências independentes.

Quando a operação é estruturada em regime fiduciário, os recebíveis ficam separados do patrimônio da securitizadora, reduzindo a exposição a problemas da empresa emissora.

Tributação e por que isso chama atenção

Pessoas físicas não pagam Imposto de Renda nem IOF sobre os rendimentos de CRIs e CRAs. Essa característica existe porque os papéis financiam setores considerados estratégicos para a economia.

Isso faz com que a rentabilidade divulgada já seja líquida, o que facilita a comparação com outros investimentos tributados.

O que avaliar antes de investir?

Como divulgado pelo portal Safra, é essencial observar:

  • Prazo do título;
  • Qualidade do lastro;
  • Rating da emissão;
  • Tipo de remuneração;
  • Possibilidade real de manter o papel até o vencimento.

Esses certificados tendem a oferecer taxas maiores justamente porque envolvem risco de crédito mais elevado e menor liquidez.

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