A alta de 68% no lucro líquido ajustado da Bombril no quarto trimestre de 2025, para R$ 56,3 milhões, recolocou em evidência empresas que conseguiram superar crises financeiras por meio da recuperação judicial ou extrajudicial.
A fabricante registrou crescimento de 49% no Ebitda ajustado, que alcançou R$ 87,3 milhões, enquanto a receita líquida avançou 9%, para R$ 442 milhões.
Mesmo ainda submetida ao processo de recuperação, a companhia apresentou melhora operacional.
Americanas aguarda decisão para encerrar recuperação
A Americanas também deu um passo para concluir sua reestruturação financeira. Em março de 2026, a varejista protocolou na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro um pedido para encerrar o processo de recuperação judicial, após informar que cumpriu as obrigações previstas no plano aprovado pelos credores dentro do prazo legal de dois anos.
Como mostrou O Brasilianista, se a Justiça homologar o pedido, será encerrada uma das maiores recuperações judiciais da história do país, iniciada após a revelação de inconsistências contábeis que resultaram em um passivo superior a R$ 50 bilhões, dos quais cerca de R$ 42 bilhões foram incluídos na renegociação.
Eternit encerrou recuperação após seis anos
A Eternit entrou em recuperação judicial em 2018 depois que a proibição do uso do amianto crisotila obrigou a empresa a reformular completamente seu modelo de produção.
A companhia precisou substituir a matéria-prima por fibras sintéticas, adaptar suas fábricas e reorganizar suas finanças para manter as atividades.
Após cumprir as obrigações previstas no plano aprovado pelos credores, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo declarou encerrada a recuperação judicial em agosto de 2024.
A decisão considerou que a empresa cumpriu regularmente o plano durante o período de fiscalização previsto na Lei de Recuperação Judicial.
Com o fim do processo, a Eternit passou a concentrar investimentos na diversificação do portfólio, ampliando a produção de telhas com tecnologia fotovoltaica e novos sistemas construtivos, buscando reduzir a dependência de um único segmento.
Kepler Weber reorganizou as dívidas
A fabricante de silos e sistemas de armazenagem agrícola entrou em recuperação judicial em 2006 após acumular aproximadamente R$ 500 milhões em dívidas durante um período de retração do agronegócio e dificuldades de crédito.
A recuperação foi construída por meio da renegociação com bancos, conversão de parte dos débitos em participação acionária e debêntures, além da entrada de novos recursos dos acionistas.
A empresa também promoveu uma ampla reorganização administrativa.
Nos anos seguintes, a companhia voltou a apresentar crescimento operacional e recuperação no mercado de capitais, tornando-se posteriormente uma das empresas mais reconhecidas da B3 pela distribuição de dividendos.
Mangels reduziu custos e retomou o equilíbrio
A Mangels solicitou recuperação judicial em 2013 após enfrentar dificuldades provocadas pela retração prolongada da indústria automotiva e pelo elevado endividamento.
Durante o processo, a fabricante promoveu cortes de despesas, reduziu sua estrutura administrativa, renegociou contratos com fornecedores, reorganizou a produção e reforçou o controle financeiro da companhia.
Pouco mais de três anos depois, a Justiça encerrou a recuperação judicial. A empresa informou que passou a operar com uma estrutura mais enxuta e processos reformulados para melhorar a eficiência operacional.
Grupo Rede Energia foi incorporado pela Energisa
A holding Rede Energia acumulou dívidas bilionárias e chegou a sofrer intervenção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), afetando diversas distribuidoras controladas pelo grupo.
A reestruturação ocorreu após a aquisição dos ativos pela Energisa, que realizou aportes financeiros, reorganizou as operações e alongou o perfil das dívidas durante o processo de recuperação.
Concluída a execução do plano, a Justiça decretou o encerramento da recuperação judicial em 2016, permitindo a continuidade do fornecimento de energia pelas distribuidoras incorporadas ao grupo Energisa.
GPA optou pela recuperação extrajudicial
Diferentemente dos casos anteriores, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) adotou a recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 4,57 bilhões em dívidas financeiras.
O acordo prevê redução superior a R$ 4 bilhões nos desembolsos da companhia nos próximos anos, alongamento do prazo médio das obrigações para 6,4 anos, emissão de debêntures conversíveis e contratação de novas linhas de financiamento.
O grupo informou que as lojas continuam funcionando normalmente e que a empresa permanece adimplente com fornecedores durante a execução do plano.
Marisa reorganizou dívidas sem recorrer à recuperação judicial
A Marisa adotou uma estratégia diferente ao optar pela recuperação extrajudicial e concentrar esforços na reorganização de sua estrutura financeira sem interromper as operações.
Como parte desse processo, a varejista transferiu, no fim de 2023, a operação de seus produtos de crédito para a Credsystem e iniciou a descontinuação da M Pagamentos, financeira que acumulava sucessivos prejuízos.
Desde o início da reestruturação, a companhia já realizou aportes de R$ 262 milhões na instituição, valor quase três vezes superior ao inicialmente previsto.
A desmobilização da financeira ainda depende de autorização do Banco Central. Após ter um primeiro pedido arquivado por erro no encaminhamento do processo, a empresa apresentou um plano de descontinuidade que prevê redução de despesas, liquidação dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e encerramento gradual das operações.
Casas Bahia reestruturou R$ 4,1 bilhões em dívidas
Em 2024, o Grupo Casas Bahia optou pela recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas financeiras com seus principais credores, entre eles Bradesco e Banco do Brasil.
O plano previu o alongamento do prazo de pagamento de aproximadamente dois para até seis anos, redução do custo da dívida, período de carência para o pagamento de juros e principal e a possibilidade de conversão de parte dos créditos em ações da companhia.
Após a homologação do plano, a companhia avançou na implementação da reestruturação financeira por meio da emissão de debêntures vinculadas ao processo de recuperação extrajudicial.
A operação, registrada automaticamente pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em agosto de 2024, movimentou cerca de R$ 4,08 bilhões em três séries de títulos, incluindo uma conversível em ações, destinadas aos credores abrangidos pelo plano homologado pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
A emissão substituiu parte dos passivos renegociados e consolidou a nova estrutura de financiamento da varejista.
Invepar prorrogou negociação com credores
A Invepar adotou uma estratégia extrajudicial para ganhar tempo enquanto negociava a reestruturação de seu passivo com os principais credores.
A empresa firmou um acordo de standstill, mecanismo que suspende temporariamente a cobrança das dívidas e impede a adoção de medidas de execução durante as negociações.
Em outubro de 2025, o prazo do acordo foi prorrogado para manter protegidas as tratativas entre a concessionária e as instituições financeiras.
Em janeiro de 2026, a Invepar informou o encerramento do acordo de standstill, marcando o fim do período de suspensão da exigibilidade das dívidas.
A companhia afirmou que a medida ocorre após a evolução das negociações com os credores e representa uma nova etapa da reestruturação financeira.

