A Polícia Federal (PF) prepara um novo relatório com base em mensagens extraídas de aparelhos eletrônicos pertencentes ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O material faz parte da investigação que apura suspeitas envolvendo a instituição financeira e suas conexões com autoridades.
O Banco Master é uma instituição privada que ganhou protagonismo após tentativa de negociação com o Banco de Brasília (BRB), banco público controlado pelo governo do Distrito Federal.
A operação passou a ser questionada após indícios de irregularidades em títulos e ativos. As informações são do portal CNN.
Histórico de operações
A PF, órgão responsável por investigar crimes federais, realizou operação em janeiro que resultou na apreensão de celulares e computadores do empresário. Parte desse conteúdo ainda está em análise técnica.
Um dos aparelhos recolhidos recentemente teve o sistema de criptografia superado pelos peritos, o que permitiu acesso a novas conversas e arquivos. A corporação planeja concluir o relatório na próxima semana.
O documento deverá ser encaminhado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e também ao novo relator do caso, André Mendonça.
O ministro ainda não definiu se manterá o inquérito no Supremo ou se enviará parte da investigação para instâncias inferiores da Justiça.
Segundo o portal G1, Mendonça se reunirá nesta sexta-feira (13), às 13h, com os responsáveis pela condução das investigações relacionadas ao caso.
O juiz e sua equipe pretendem obter dos delegados uma visão abrangente do andamento das apurações, com atualização sobre as diligências já realizadas e as medidas previstas para as próximas etapas.
Nos bastidores do Judiciário, o magistrado tem adotado postura de distanciamento em relação a disputas internas.
Integrantes da Corte avaliam que sua condução pode reduzir críticas vindas de setores políticos que questionam decisões do tribunal.
Menções a ministros elevam temperatura
O conteúdo extraído dos aparelhos inclui referências a integrantes do STF, o que adiciona sensibilidade ao caso.
Segundo o jornal Metrópoles, a Polícia Federal elabora relatório específico sobre citações ao ministro Alexandre de Moraes nas mensagens de Vorcaro. O material será entregue ao presidente da Corte.
Reportagem do portal relatou que Moraes esteve pelo menos duas vezes na residência do empresário, localizada no Lago Sul, bairro de alto padrão em Brasília.
Documento semelhante sobre relações já foi produzido anteriormente em relação a Dias Toffoli. A peça técnica, chamada de “informação de Polícia Judiciária”, descreve os achados sem solicitar afastamento ou declarar suspeição de magistrados.
No período mencionado, o Master buscava viabilizar negociação com o BRB. Paralelamente, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, mantinha contrato de consultoria com a instituição financeira no valor de R$ 129 milhões.
Como informado por O Brasilianista, em nota a Secretaria de Comunicação (Secom) classificou como “falsa e mentirosa” a informação publicada pelo Portal Metrópoles sobre uma suposta reunião do ministro Alexandre de Moraes com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Troca de relator altera equilíbrio interno
Como divulgado por O Brasilianista, o processo deixou de estar sob responsabilidade de Dias Toffoli e passou a André Mendonça.
A alteração aconteceu após reunião reservada entre ministros e pressão política relacionada ao teor de documentos produzidos pela Polícia Federal.
Em nota conjunta, integrantes da Corte registraram que as decisões já tomadas continuam válidas, mas aceitaram o pedido de redistribuição apresentado pelo antigo relator.
No STF, o relator exerce papel central. Ele autoriza diligências, analisa pedidos da Procuradoria-Geral da República e define o ritmo do processo.
A substituição não reinicia a investigação, porém transfere ao novo gabinete a responsabilidade por avaliar relatórios pendentes e decidir sobre eventuais medidas.
Impacto institucional e político
O envio de novo relatório com menções a ministros amplia o alcance da investigação para dentro do próprio tribunal.
Isso exige cautela redobrada, pois o STF julga autoridades com foro especial, incluindo seus próprios integrantes.
No Senado, parlamentares acompanham os desdobramentos. A Casa é responsável por analisar pedidos de impeachment contra ministros da Corte.
Já existem requerimentos protocolados envolvendo o antigo relator. A eventual inclusão de novas informações pode influenciar o debate político, especialmente em ano pré-eleitoral.
No mercado financeiro, a continuidade das apurações gera ambiente de incerteza. Investidores e instituições acompanham o desenrolar do caso, já que o Master esteve envolvido em negociação com banco público regional.
O Banco Central, autoridade monetária que supervisiona o sistema financeiro, também observa os desdobramentos. Caso sejam identificadas falhas estruturais, medidas regulatórias podem ser discutidas.

