A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada pelo Banco Central do Brasil, aprofundou a crise envolvendo o conglomerado do Banco Master e elevou o impacto financeiro do caso. Apesar da intervenção, os contratos de crédito consignado vinculados ao cartão Credcesta permanecem válidos, e os servidores que contrataram empréstimos continuam obrigados a pagar as parcelas.
Segundo a Folha, o Pleno tinha participação em créditos ligados ao Credcesta, mas seu principal ativo era uma carteira do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), estimada em R$ 2,5 bilhões, que não conseguiu vender. Com a liquidação, o banco deixa de operar, e um liquidante foi nomeado para vender ativos e ressarcir credores.
O impacto sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é expressivo. A conta de valores a serem cobertos no caso Master chega a R$ 51,8 bilhões, podendo ultrapassar R$ 57 bilhões se incluídas perdas do Banco de Brasília (BRB), fundos de pensão e empresas, também segundo a Folha. O Pleno reúne cerca de 160 mil clientes com CDBs elegíveis à garantia do FGC, somando R$ 4,9 bilhões.
O Globo informou que o banqueiro Augusto Lima, dono do Pleno desde o ano passado, teve bens bloqueados para fazer frente aos compromissos com depositantes. Seu patrimônio à época da aquisição era estimado em R$ 1 bilhão. A compra do então Voiter, que se tornaria o Pleno, já havia gerado preocupação nos bastidores do BC, diante das dificuldades do conglomerado Master.
Reportagem do Estadão revelou ainda que Lima participou de ao menos oito reuniões com dirigentes do Banco Central no ano passado. Em parte dos registros, ele aparecia como CEO do Master ao lado do presidente da instituição, Daniel Vorcaro, referências posteriormente ajustadas pelo BC.
De acordo com o Valor, a essência da operação do Pleno estava no cartão consignado Credcesta, incorporado ao conglomerado após articulação entre Lima e Vorcaro em 2019. A operação teve origem na privatização da rede Cesta do Povo, na Bahia.
Dimensão internacional
A crise também ganhou dimensão internacional. O Globo noticiou que autoridades brasileiras buscam ativos ligados a Vorcaro nos Estados Unidos, incluindo imóveis de luxo e obras de arte na Flórida. O liquidante do Master acionou a Justiça americana para rastrear bens e recuperar recursos. Paralelamente, a Folha informou que o Ministério Público junto ao TCU recomendou apuração sobre a presença de autoridades em eventos realizados na residência de Vorcaro em Trancoso (BA).
Enquanto o caso Master domina o noticiário financeiro, o cenário fiscal também preocupa. O Valor destacou estimativa da Secretaria de Política Econômica indicando que as despesas previdenciárias podem saltar de R$ 1,03 trilhão em 2025 para R$ 1,46 trilhão em 2035. O Benefício de Prestação Continuada (BPC) quase dobraria no período. O diagnóstico é visto como sinalização da equipe econômica sobre a necessidade de rever a trajetória dos gastos obrigatórios.
Reajuste servidores
No campo político-fiscal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou trechos de projeto que concedia reajustes a servidores da Câmara, do Senado e do TCU, impedindo que remunerações ultrapassassem o teto constitucional de R$ 46.366,19. Segundo Valor e Folha, líderes partidários consideraram o veto necessário diante do desgaste público em torno dos supersalários, e o debate sobre a regulamentação de verbas indenizatórias deve ganhar força no Congresso.
A combinação entre crise bancária, pressão fiscal e embate sobre gastos públicos impõe novos desafios à equipe econômica em um ano que já começa marcado por incertezas no sistema financeiro e no equilíbrio das contas públicas.

