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Política

24 de fevereiro o marco que mudou o Brasil: conheça a primeira Constituição Republicana

Documento promulgado em 1891 reorganizou o Estado, redefiniu poderes e inaugurou novas bases políticas após o fim da monarquia

24 de fevereiro o marco que mudou o Brasil: conheça a primeira Constituição Republicana

No dia 24 de fevereiro de 1891, o Brasil oficializou sua primeira Constituição republicana, documento que reorganizou o país após a Proclamação da República e estabeleceu novas regras políticas, administrativas e jurídicas.

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Elaborada por uma Assembleia Constituinte instalada no Rio de Janeiro, a Carta definiu o presidencialismo, o federalismo e a separação entre Estado e Igreja, além de criar estruturas que influenciam o sistema político até hoje.

A data é lembrada como um marco na reorganização institucional do país e na construção do novo regime republicano. As informações são do Governo Federal.

O nascimento da República em forma de lei

A Constituição de 1891 surgiu em um contexto de transição política acelerada após o fim do Império. Com a queda da monarquia, foi criado um governo provisório liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca.

Esse período teve como objetivo preparar o país para um novo modelo de governo. Decretos foram editados para transformar antigas províncias em estados e estabelecer a república federativa.

Além disso, foram dissolvidos órgãos do regime imperial, como o Senado e a Câmara da época. Uma comissão de juristas elaborou um anteprojeto que serviria de base para a Assembleia Constituinte.

O texto final foi discutido por deputados e senadores eleitos em 1890. Após pouco menos de dois meses de debates, a nova Constituição foi promulgada.

No dia seguinte, o Congresso escolheu o primeiro presidente da República dentro das regras recém-criadas.

Como o novo sistema político foi desenhado

A Constituição instituiu oficialmente a República Federativa dos Estados Unidos do Brasil. Isso significou o fim do Estado centralizado do período imperial.

As antigas províncias ganharam autonomia e passaram a ser chamadas de estados. O modelo adotado teve inspiração em constituições estrangeiras, especialmente a dos Estados Unidos.

O texto também definiu a separação entre Executivo, Legislativo e Judiciário. O Poder Moderador, que existia no Império e era exercido pelo imperador, foi extinto.

O presidente passou a ser eleito para mandato fixo e assumiu a chefia do Executivo. O Congresso Nacional manteve o sistema bicameral, com Câmara dos Deputados e Senado. Além disso, o Supremo Tribunal Federal foi criado como órgão máximo do Judiciário.

Direitos, mudanças sociais e limites da época

A Constituição trouxe avanços importantes na área de direitos civis. O texto estabeleceu a igualdade perante a lei e garantiu liberdade religiosa.

Também determinou a separação entre Igreja e Estado, tornando o país oficialmente laico. Foi instituído o casamento civil e o ensino público deixou de ter vínculo religioso obrigatório.

Outro ponto relevante foi a criação do habeas corpus como garantia jurídica. No entanto, nem todos participaram do novo sistema político.

Analfabetos, mendigos e religiosos ficaram fora do direito ao voto. As mulheres também não puderam participar das eleições.

Curiosidades e detalhes pouco conhecidos

A Carta de 1891 tinha 91 artigos e oito disposições transitórias. Foi considerada uma das constituições mais concisas do período republicano.

O texto previa que a capital federal poderia ser transferida para o Planalto Central, ideia que décadas depois resultaria na construção de Brasília.

Outra curiosidade foi a chamada “grande naturalização”, que concedeu cidadania brasileira a muitos estrangeiros residentes no país.

O documento também criou regras para o estado de sítio, mecanismo usado em momentos de crise. Com o tempo, esse instrumento acabou sendo utilizado em diferentes conflitos políticos da Primeira República.

O papel das instituições e a criação do Tribunal de Contas

De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), a Constituição de 1891 institucionalizou o Tribunal de Contas da União.

O órgão recebeu a função de fiscalizar as contas públicas antes da análise do Congresso. A medida buscava criar mecanismos de controle financeiro dentro do novo sistema republicano.

Segundo o TCU, o texto também fortaleceu o federalismo e descentralizou parte do poder político. Ao mesmo tempo, consolidou uma estrutura que favoreceu elites regionais.

Grupos sociais como mulheres e analfabetos ficaram afastados da participação política direta. A Constituição permaneceu em vigor por 35 anos sem reformas profundas.

Memória histórica e preservação cultural

Segundo o Ministério da Cultura, a data de 24 de fevereiro é usada para reforçar a importância da memória democrática.

Instituições culturais mantêm acervos que ajudam a explicar a construção do Estado republicano. A Fundação Biblioteca Nacional, por exemplo, reúne obras sobre as constituições brasileiras em exposições abertas ao público.

O Ministério da Cultura também destaca iniciativas ligadas à preservação da história democrática. Entre elas está o projeto do Museu da Democracia, previsto para Brasília.

O espaço pretende reunir documentos, relatos e materiais históricos sobre a evolução das instituições no país. Além disso, o repositório virtual do museu reúne conteúdos educativos acessíveis ao público.

Reflexos nos estados e documentos históricos preservados

Como divulgado pelo Governo do Estado do Paraná, após a promulgação da Constituição nacional, estados brasileiros começaram a criar suas próprias cartas constitucionais.

O Paraná, por exemplo, aprovou sua primeira Constituição estadual em julho de 1891. Documentos originais desse período estão preservados em arquivos públicos.

Segundo o governo paranaense, esses registros ajudam a compreender como as novas regras federativas foram aplicadas localmente.

A preservação desses materiais permite acompanhar a evolução institucional dos estados dentro do novo regime republicano.

Esses documentos também mostram como a reorganização política ocorreu simultaneamente em diferentes regiões do país.

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