Publicidade
Geopolítica

A “guerra aberta” do Paquistão contra o Talibã; entenda os detalhes

No caminho de um confronto oficial, China e Rússia se oferecem como mediadores da crise na fronteira

A “guerra aberta” do Paquistão contra o Talibã; entenda os detalhes

A declaração do ministro da Defesa do Paquistão elevou o tom da crise na fronteira com o Afeganistão. Segundo ele, a paciência do país chegou ao fim e o cenário agora é de “guerra aberta”. Isso significa que os confrontos podem deixar de ser ataques pontuais ou represálias isoladas e se transformar em guerra oficial dos dois lados.

De acordo com a CBN, o centro da tensão está no Movimento Talibã do Paquistão (TTP — Tehrik-i-Taliban Pakistan), organização insurgente que combate o Estado paquistanês. Autoridades em Islamabad afirmam que integrantes do grupo estariam em território afegão, onde se reorganizam e articulam ataques contra o Paquistão. O governo em Cabul rejeita a acusação.

Publicidade

Caminho da guerra

A escalada ganhou força no último fim de semana, quando o Paquistão realizou bombardeios contra áreas apontadas como redutos do TTP e também contra alvos ligados ao Estado Islâmico dentro do Afeganistão. Em resposta, o Talibã, que governa o país, declarou que reagirá de forma “apropriada e proporcional”.

Antes desses ataques, o governo afegão havia informado ter conduzido uma ofensiva contra posições militares paquistanesas ao longo da linha divisória entre os dois países. De acordo com autoridades afegãs, a operação foi uma retaliação a bombardeios promovidos por Islamabad.

Conforme relatou o porta-voz do governo do Afeganistão, forças paquistanesas voltaram a atacar, atingindo Cabul e outras cidades afegãs poucas horas depois. Nesta sexta-feira (27), o porta-voz militar do país informou que ataques aéreos do país atingiram 22 alvos militares afegãos.

De acordo com o Terra, segundo Ahmed Sharif Chaudhry, ao menos 12 soldados paquistaneses morreram desde a noite de quinta-feira, enquanto 274 oficiais e militantes do Talibã foram mortos no mesmo período.

Os números de vítimas divulgados anteriormente já apontavam versões divergentes. Mosharraf Zaid, porta-voz do governo paquistanês, afirmou que 133 combatentes talibãs afegãos faleceram e mais de 200 ficaram feridos.

Já Mujahid, porta-voz do Talibã, apresentou outro balanço: 55 soldados paquistaneses mortos, além de oito afegãos mortos e 11 feridos. 13 civis também teriam morrido, segundo ele.

Cabul e Nova Déli

O Paquistão construiu uma relação próxima com o Talibã afegão desde a década de 1990. Segundo informações do G1, chegaram a apoiar juntos a criação do regime para ampliar sua influência sobre Cabul e reforçar sua posição frente à Índia.

Isso significa que o vínculo estratégico permitia a Islamabad projetar poder na região e assegurar vantagem geopolítica.

Desde que o Talibã reassumiu o controle do Afeganistão em 2021, surgiram divergências entre os vizinhos. A relação de Cabul, capital do Afeganistão, com Nova Déli, capital da Índia, é visto com desconfiança pelo Paquistão.

Além disso, os ataques promovidos pelo grupo militante Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) dentro do território paquistanês mantêm a situação tensa.

Repercussão internacional

A repercussão internacional também começou a se manifestar. A China declarou estar profundamente preocupada com os confrontos na região de fronteira. Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, afirmou que Pequim tem atuado por canais próprios para tentar mediar a crise.

Ela acrescentou que o país está disposto a exercer um papel construtivo para conter a escalada. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia também se pronunciou e indicou que poderá assumir uma função de mediação, caso haja solicitação formal das duas partes envolvidas.

Próximos passos

Nos próximos dias é aguardado que países aliados se manifestem sobre o assunto, incluindo também a Organização das Nações Unidas (ONU). A situação sugere que Islamabad deve ampliar sua ofensiva militar, enquanto Cabul tende a concentrar suas respostas em investidas contra guarnições fronteiriças.

As fileiras do Talibã somam aproximadamente 172 mil combatentes, contingente que não chega a um terço do poderio humano do Paquistão. No exército paquistanês há mais de 600 mil soldados e uma infraestrutura de guerra robusta, com 400 aviões de caça, 6 mil blindados e a posse de armamento nuclear.

Notícias sobre política, economia e justiça nas nossas redes sociais