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Economia

Conflito Paquistão-Talibã pode gerar impactos na economia brasileira; entenda

Para especialista em comércio exterior, os efeitos no Brasil pode vir da instabilidade dos mercados globais e do impacto sobre fluxos comerciais

Conflito Paquistão-Talibã pode gerar impactos na economia brasileira; entenda

A escalada militar entre o Paquistão e o Talibã no Afeganistão pode preocupar mercados internacionais e afetar mesmo que indiretamente a economia brasileira. A tensão aumentou após declarações do ministro da Defesa do Paquistão, que classificou a situação como “guerra aberta”. O foco é o Movimento Talibã do Paquistão (TTP — Tehrik-i-Taliban Pakistan), insurgente que combate o Estado paquistanês e que, segundo Islamabad, se reorganiza em território afegão para planejar ataques.

Os confrontos resultaram em ataques e bombardeios a alvos militares. O Talibã afegão, em resposta, prometeu reagir de forma proporcional. Como detalhamos na última semana. A reação da comunidade internacional é de acompanhamento da situação de perto: China e Rússia sinalizaram disposição para mediar a crise, e a ONU deve se pronunciar nos próximos dias.

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Exportação e importação

Para o Brasil, o impacto direto no comércio com os dois países é limitado, já que não são parceiros comerciais de primeira linha na balança do país. Mas os efeitos indiretos podem ser significativos.

O Brasil exporta para o Paquistão principalmente algodão, oleaginosas (soja e óleo de soja), café, vegetais comestíveis e papel e celulose. Do Paquistão, o país importa principalmente artigos de vestuário, borrachas e derivados, têxteis não malhados e algodão.

No caso do Afeganistão, as exportações brasileiras incluem preparações alimentícias, máquinas, café, produtos lácteos e confeitaria, enquanto as importações são compostas por produtos químicos, ferramentas, equipamentos elétricos e têxteis.

O que diz o especialista?

Para O Brasilianista, Jackson Campos, diretor de Relações Institucionais da AGL Cargo, explica que os efeitos para o país podem resultar em atrasos de embarques, aumento do custo de seguro, dificuldade nas operações financeiras e maior cautela de compradores e vendedores que podem tornar a operação mais cara e menos previsível.

Problemas de importação e exportação repercutem na economia brasileira como um todo. Campos aponta que quando o país exporta menos ou enfrenta dificuldades, entra menos dólar, e isso prejudica setores estratégicos como agropecuária e mineração

Por outro lado, quando a importação se torna mais cara ou lenta, os custos internos aumentam, a competitividade cai e o consumidor final sente o impacto. Empresas precisam aumentar estoques e capital de giro, para imobilizar recursos e revisar contratos para se proteger de atrasos.

“É fundamental diversificar mercados, reforçar garantias financeiras e trabalhar com rotas alternativas sempre que possível. Conflitos regionais geram efeitos em cadeia na logística global, e mesmo que o Brasil esteja longe, qualquer instabilidade pode alterar custos e disponibilidade de espaço”, afirma Campos.

Pontos de impactos importantes

Além disso, o especialista também alerta que com o aumento nos fretes internacionais, o custo de seguro e do combustível pode subir, e companhias de navegação e aéreas podem rever rotas e escalas, impactando prazos e custos de transporte. Embora não signifique paralisação total, essa volatilidade pode pressionar a balança comercial e refletir em preços mais altos para importações e exportações.

Além disso, uma crise prolongada pode afetar os preços globais de commodities agrícolas e minerais exportadas pelo Brasil. A intensidade e a duração do conflito determinarão se haverá aumento nos custos logísticos e pressão de alta nos preços ou queda na demanda global, com consequentes oscilações frequentes nos custos de transporte e valores de mercado.

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