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Economia

Como guerra no Irã pode impactar Selic no Brasil?

Escalada no Oriente Médio pressiona o petróleo e pode reduzir o espaço para cortes na taxa básica de juros

Como guerra no Irã pode impactar Selic no Brasil?

A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã introduz um canal claro de transmissão entre geopolítica e política monetária no Brasil. O ponto central dessa conexão é o petróleo. Em um cenário de conflito no Oriente Médio, região estratégica para a produção e o escoamento global da commodity, o risco de interrupções na oferta altera imediatamente as expectativas dos mercados e pressiona as cotações internacionais.

Esse movimento ocorre porque investidores antecipam possíveis restrições no fornecimento, sobretudo diante de ameaças a rotas como o Estreito de Ormuz, por onde circula mais de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Com a percepção de risco maior, os contratos futuros sobem e o barril se valoriza.

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Segundo a Reuters, o Brent chegou a ser negociado acima de US$ 79 em meio à recente escalada de tensões. É nesse ponto que a política monetária brasileira entra na equação. O petróleo mais caro tende a encarecer combustíveis, fretes, energia e insumos industriais.

Esse encadeamento pressiona índices de preços e pode contaminar expectativas inflacionárias. Quando isso acontece, o Banco Central passa a operar em um ambiente mais delicado: reduzir juros em meio a novas pressões de custos pode dificultar a convergência da inflação para a meta.

Mercado aguarda atraso na Selic?

O conflito não adia a redução da Selic de maneira automática, mas cria condições que podem levar a isso como: alta do petróleo, impacto sobre combustíveis e cadeias produtivas, deterioração das expectativas de inflação e necessidade de maior prudência por parte do Banco Central.

Hoje, a Selic está em 15%, após o Banco Central ter interrompido o ciclo de alta em julho do ano passado. A inflação acumulada em fevereiro ficou em 4,1%, acima da meta de 3%. O plano sinalizado pela autoridade monetária prevê o início do afrouxamento a partir de março. No entanto, conforme relatado pela Reuters, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, alertou que um prolongamento do conflito, com impacto persistente sobre o petróleo, pode encurtar o ciclo de cortes.

O mecanismo é direto: se o choque externo elevar preços de forma relevante e gerar repasses mais intensos ao consumidor, o espaço para flexibilização diminui. Em vez de promover uma sequência longa de reduções, antes projetada por economistas em sete cortes ao longo de 2026, levando a taxa a 12%, o Banco Central pode ser levado a interromper o movimento mais cedo ou espaçar os cortes, preservando uma postura mais cautelosa.

Caminho para o corte de juros

Ceron ponderou que, no curto prazo, a valorização recente do real ajuda a absorver parte da pressão externa, tornando importações mais baratas e suavizando o impacto inflacionário. Ainda assim, ele indicou que, caso a incerteza aumente e o repasse do petróleo aos preços se intensifique, a trajetória de queda da Selic pode perder fôlego antes do previsto.

Há também um componente de faixa de preço. O Globo mostra que na avaliação, US$ 75 e US$ 85 por barril tenderiam a produzir efeitos administráveis no primeiro momento. Acima de US$ 100, entretanto, a pressão inflacionária ganharia outra dimensão, com potencial de afetar decisões de política econômica de forma mais significativa.

Quanto mais intenso e duradouro for o choque externo, maior a probabilidade de o ciclo de cortes ocorrer de forma mais curta ou mais lenta do que o inicialmente desenhado.

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