A escalada do conflito no Oriente Médio, bem como bloqueios estratégicos e comerciais, pode trazer diversos efeitos para a balança comercial brasileira. O principal foco, neste momento, é em relação ao petróleo, que puxou as exportações de fevereiro de 2026.
Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), afirmou durante a coletiva de imprensa dos resultados que os conflitos na região aumentam o preço internacional da commodity, o que pode beneficiar o Brasil, visto que é exportador líquido do produto. As informações são do Jornal de Brasília.
“O Brasil é um exportador líquido de petróleo e, na medida em que o preço do petróleo suba, o saldo do comércio de combustíveis tende a aumentar”, disse Brandão.
Entretanto, o Oriente Médio também é um dos principais parceiros comerciais de alimentos brasileiros, como frango, milho, açúcar, entre outros. A continuação da guerra poderia trazer resultado negativo temporário para esses stores.
“A demanda por alimentos nesses países não vai desaparecer. Os fluxos tendem a se normalizar”, comentou.
Exportações em fevereiro batem recorde
A balança comercial do Brasil bateu recorde das exportações em fevereiro, com crescimento de 15,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, indicou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços nesta quinta-feira (05).
No último mês, as exportações somaram US$ 26,3 bilhões e as importações, US$ 22,1 bilhões, com saldo positivo de US$ 4,208 bilhões e corrente de comércio de US$ 48,404 bilhões. Na comparação anual, as importações registraram queda de 4,8%.
No ano, as exportações totalizam US$ 51 bilhões e as importações, US$ 42,9 bilhões — o que representa um aumento de US$ 8 bilhões e corrente de comércio de US$ 93,82 bilhões.
Um dos destaques das exportações foi a indústria extrativa, que registrou aumento nas vendas de minérios de cobre e seus concentrados (131,2%) e óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus ( 76,5%).
O petróleo acompanhou o aumento das vendas brasileiras em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. Em março, é esperado que a commodity tenha novos resultados expressivos — positivos ou negativos — em meio ao início da guerra entre Estados Unidos e Irã, que bloqueou o Estreito de Ormuz.
Já no setor de alimentos, o milho não moído, exceto milho doce puxou em 8% as exportações brasileiras, bem como frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas (33,9%), soja (15,5%) e crne bovina fresca, refrigerada ou congelada (41,8%). Em março, esse setor pode sofrer uma queda caso a guerra persista.
Fechamento do Estreito é prejudicial para a economia global
O Estreito de Ormuz é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!.
Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.
Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.
Em meio ao bloqueio do Estreito e ataques a territórios iranianos, foi criado um vácuo de poder e elevou o risco de um conflito prolongado no Oriente Médio, afetando não apenas bolsas internacionais, mas também a percepção sobre o real e investimentos no Brasil.

