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Justiça

MG conseguiu suspender pagamentos da dívida com a União por quase dois anos no STF, diz Tesouro Nacional

Suspensões começaram em 2022, após Minas Gerais tentar, sem sucesso, aderir ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF)

MG conseguiu suspender pagamentos da dívida com a União por quase dois anos no STF, diz Tesouro Nacional

Uma nota técnica elaborada pela Secretaria do Tesouro Nacional detalhou como Minas Gerais (MG) conseguiu, por meio de ações junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), adiar o pagamento de suas dívidas com a União por 21 meses. O documento foi publicado na quinta-feira (5).

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As suspensões começaram em 2022, após MG tentar, sem sucesso, aderir ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Apesar de o estado ter conseguido a habilitação no programa fiscal e celebrado um contrato de refinanciamento, a homologação do plano de recuperação não foi feita porque o governo e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais não aprovaram normas de ajuste exigidas.

Para evitar a retomada dos pagamentos, o governo mineiro recorreu a diferentes instrumentos jurídicos. Um deles foi pedir, e exonseguir, a prorrogação da suspensão inicial até dezembro de 2023. Após o fim desse prazo, o Governo de Romeu Zema e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais pediram mais tempo.

Foram duas petições com esse pedido. apresentaram a Petição nº 12.074. Uma delas garantiu mais 120 dias e outra, em abril de 2024, 90 dias adicionais. Nos dois casos, o argumento usados para pedir e conceder o adiamento foi a busca pelo estado em aperfeiçoar o regime de recuperação fiscal junto à União.

Mais 180 dias

Em fevereiro deste ano, o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu por 180 dias a tramitação de uma ação judicial em que Minas Gerais discute a forma de pagamento de sua dívida com o governo federal.

No processo, MG busca ajustar o valor das parcelas à sua capacidade real de pagamento. Com a suspensão, o Executivo mineiro poderá concentrar esforços na tentativa de ingressar em um novo programa federal voltado à reorganização das finanças estaduais.

Consolidação e o novo programa de dívidas

Texto de Romeu Zema que facilita privatização da Copasa é aprovado em MG (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Antes das suspensões recentes, MG já havia conseguido barrar pagamentos de mais de R$ 34 bilhões por meio de ações judiciais, segundo a nota tšecnica do Tesouro Nacional. O valor da dívida que foi refinanciado em 2022.

Em 31 de dezembro de 2025, o cenário da dívida mineira mudou com a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Minas Gerais confessou um valor consolidado de R$ 179,3 bilhões e optou por um novo refinanciamento sem juros, com prazo de 360 meses e previsão de entrega de quase R$ 36 bilhões em ativos financeiros para abatimento extraordinário.

Atualmente, de acordo com dados de janeiro deste ano, o saldo devedor de Minas Gerais é de R$ 182 bilhões, com prestações mensais de R$ 101 milhões.

MG não está só

O Rio de Janeiro tem seguido estratégia similar para driblar o pagamento de dívidas com a União. Graças ao ministro Dias Toffoli, do STF, o estado conseguiu estender até junho de 2026 as medidas temporárias necessárias para permanecer no regime de recuperação fiscal e também suspender as sanções aplicadas pela União.

A decisão de Toffoli determinou ainda que os valores devidos neste ano deverão contabilizar os valores não pagos em 2024 e 2025 corrigidos pelo IPCA e sem aplicação de penalidades. Na prática, a ordem do ministro prorrogou por os efeitos de uma liminar concedida por ele em dezembro de 2024, para suspender o aumento de 30% nas parcelas devidas pelo estado à União.

O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.