O Banco de Brasília (BRB) apresentou aos acionistas uma proposta de aumento de capital que pode alcançar R$ 8,86 bilhões.
O plano prevê a emissão de até 1,68 bilhão de novas ações, que serão ofertadas ao mercado como parte da estratégia de capitalização da instituição.
A proposta foi aprovada pelo conselho de administração do banco e será submetida à votação em assembleia geral marcada para 18 de março.
Caso a operação seja totalmente subscrita, o capital social da instituição poderá saltar dos atuais R$ 2,34 bilhões para aproximadamente R$ 11,2 bilhões.
A iniciativa foi divulgada após a instituição enfrentar pressão em suas contas nos últimos meses. As informações são do G1.
Investimento de R$ 16,7 bilhões
A pressão sobre o balanço do BRB está ligada a operações realizadas com o Banco Master. Entre 2024 e 2025, o banco estatal destinou cerca de R$ 16,7 bilhões em investimentos relacionados à instituição financeira privada.
Parte dessas transações passou a ser investigada por suspeitas de fraude, envolvendo ativos que posteriormente não chegaram a integrar plenamente o patrimônio do BRB.
Após a liquidação do Banco Master, auditorias conduzidas pelo Banco Central e por consultorias independentes indicaram que as perdas potenciais associadas às operações podem chegar a aproximadamente R$ 8 bilhões.
Governo autoriza medidas financeiras para sustentar banco estatal
De acordo com o ICL Notícias, diante da deterioração das contas da instituição, o governo do Distrito Federal iniciou a discussão de um conjunto de mecanismos de apoio ao banco público.
Projeto aprovado pela Câmara Legislativa autoriza o Executivo local a buscar empréstimos de até R$ 6,6 bilhões para reforçar a capacidade financeira do BRB.
A legislação também permite a utilização de instrumentos como venda de ativos públicos, transferência de terrenos e estruturação de operações financeiras com imóveis pertencentes ao Distrito Federal.
Entre os bens considerados nessas operações estão nove imóveis oferecidos como garantia, incluindo áreas utilizadas em negociações para levantar recursos.
Oferta de ações prevê prêmio sobre preço de mercado
Segundo o portal InfoMoney, o plano de capitalização prevê que as novas ações sejam ofertadas ao preço de R$ 5,29 por papel.
Esse valor representa um prêmio de aproximadamente 12,8% em relação ao preço de fechamento do pregão anterior, quando os papéis da instituição terminaram o dia cotados a R$ 4,69.
A operação será realizada por meio de subscrição privada, mecanismo que permite aos acionistas participar da capitalização da empresa.
Em comunicado ao mercado financeiro, o banco afirmou que a medida pretende reduzir o grau de alavancagem do conglomerado prudencial e ampliar a capacidade de absorção de perdas.
Situação do banco é acompanhada por investidores e empresas
Movimentos de capitalização em instituições financeiras costumam atrair atenção do mercado porque podem alterar a capacidade de concessão de crédito.
Bancos precisam manter níveis mínimos de patrimônio definidos pelos reguladores para sustentar suas operações e absorver riscos financeiros.
Quando esses indicadores ficam pressionados, instituições podem restringir a oferta de financiamento ou adotar critérios mais rigorosos para novos empréstimos.
Para empresas e microempreendedores, mudanças na estrutura financeira de bancos públicos podem influenciar o acesso a linhas de crédito, programas de financiamento e investimentos.
O Caso do Banco Master
Como divulgado pelo O Brasilianista, as suspeitas envolvendo o Banco Master ganharam dimensão política no início de 2026, quando parlamentares passaram a articular a criação de comissões parlamentares de inquérito para investigar operações financeiras atribuídas à instituição.
A mobilização ocorreu após questionamentos sobre negociações de grande porte realizadas pelo banco e possíveis irregularidades envolvendo ativos financeiros.
As investigações começaram a ganhar força ainda no segundo semestre do ano passado e incluíram medidas judiciais contra executivos da instituição.
O caso ganhou maior repercussão após a prisão de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, durante a apuração de operações que, segundo parlamentares, podem envolver cerca de R$ 12 bilhões em títulos e carteiras de crédito considerados suspeitos.

