O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (11) a liquidação extrajudicial da fintech Dank Sociedade de Crédito Direto por grave comprometimento da situação econômico-financeira e violações às normas legais que disciplinam a atividade da instituição.
Segundo o Broadcast, é a primeira Sociedade de Crédito Direto liquidada pelo BC, modelo formalizado em 2018. A Dank, por sua vez, recebeu autorização para entrar em funcionamento no ano de 2022.
Os últimos dados disponíveis da instituição no IFData indicam que, no final de setembro de 2025, a Dank possuía passivo total de cerca de R$ 45 milhões, patrimônio líquido de R$ 975 mil e lucro líquido negativo de R$ 1,355 milhão.
A empresa se identifica como Dank Bank, mas não possui licença bancária. Recentemente, o BC determinou que empresas sem licença com o nome “banco” deveriam mudar de nome, com risco de sanções. Porém, o site da instituição mostra que ela presta serviços de emissão de Cédula de Crédito Bancário (CCB), risco sacado, crédito consignado, Bank as Service (BaaS) e fiança bancária.
Por que a Dank foi liquidada?
O ato de liquidação, assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, justifica a medida pelo “grave comprometimento da situação econômico-financeira e as graves violações às normas legais que disciplinam a atividade da instituição”. As informações ainda são do Broadcast.
A Faccio Administrações Ltda, ficou responsável pela liquidação da Dank. O BC ainda congelou os bens do controlador Alcir Vidau Oldenburg e dos ex-administradores Ana Paula Bueno Cavalcante, Cláudio Roberto Alves e Thiago Coelho Przywitowski.
Como funcionam as SCDs?
Sociedades de Crédito Direto podem realizar operações de crédito em plataformas online, mas utilizando somente recursos próprios. Ou seja, não é possível emprestar montantes de outros bancos.
As SCDs ainda conseguem prestar serviços como análise de crédito para terceiros, cobrança de crédito de terceiros, distribuição de seguro e emissão de moeda eletrônica. No caso dos seguros, ela pode operar apenas aqueles permitidos pela categoria.
O que é a liquidação extrajudicial e o que implica?
A liquidação extrajudicial é um mecanismo utilizado pelo Banco Central do Brasil (BC) quando uma instituição financeira não consegue mais cumprir suas obrigações ou viola normas essenciais do setor.
Ao ser decretada, a empresa tem seu funcionamento encerrado e passa por um processo organizado de retirada do Sistema Financeiro Nacional.
Na prática, todas as dívidas da instituição são consideradas vencidas, novas operações ficam proibidas e os credores precisam seguir um rito legal para tentar reaver valores devidos. As informações são da CNN.
Para os clientes, os valores ficam congelados até que a liquidante faça uma lista dos credores e pague as dívidas da empresa.
Em quais situações o BC adota essa medida?
O regulador recorre à liquidação extrajudicial em casos de insolvência irreversível, quando a empresa não tem condições financeiras de se recuperar, ou diante de infrações graves às regras que regem o mercado financeiro.
Antes disso, o Banco Central pode exigir aportes de capital, mudanças no controle societário ou planos de reorganização.
Quando essas alternativas não funcionam ou se tornam inviáveis, a liquidação passa a ser o instrumento final para proteger o sistema e reduzir riscos de efeito dominó.
Após a decretação da liquidação extrajudicial, as atividades operacionais da instituição são interrompidas. Os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis, medida prevista em lei para preservar recursos enquanto são apuradas responsabilidades administrativas.
Os credores entram em um processo formal de habilitação e classificação, conforme as regras da legislação que trata de recuperação e falência de empresas.

