O preço do petróleo Brent subiu quase 30% na semana passada após o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Por sua vez, os preços do gás na Europa fecharam a semana com alta de cerca de dois terços. As informações são da Financial Times.
O movimento é observado ainda nesta semana, impulsionado pelo temor de uma interrupção prolongada do Estreito de Ormuz, principal canal de passagem das commodities. Esse bloqueio pode causar perdas de produção para as principais economias, bem como pressionar o setor.
O efeito do bloqueio é em cadeia: preços mais altos impulsionam a inflação, o que pode reduzir o poder de compra das famílias — especialmente no Oriente Médio e na Europa —, prejudicando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em economias de todo o mundo.
Para as políticas monetárias dos principais países, como EUA, Reino Unido, Europa e até mesmo o Brasil, os bancos centrais podem ser forçados a manter as taxas de juros inalteradas por mais tempo ou até mesmo subir mais os juros na tentativa de controle da inflação, além da pressão fiscal para intervir no mercado de energia.
Segundo o Financial Times, a gravidade do impacto dependerá não apenas da magnitude da alta dos preços, mas também da duração e da guerra, além das estratégias adotadas pelos governos para melhorar o poder de compra dos cidadãos.
Quais economias serão mais impactadas?
Uma análise realizada pela Oxford Economics divulgada pelo Financial Times indica que o preço da guerra será maior para a Itália, Alemanha e Reino Unido.
Os custos de energia podem ser mais pesados para a Itália, onde a inflação no quarto trimestre deste ano poderá subir mais de um ponto percentual acima da projeção anterior do mercado. Já a zona do euro e Reino Unido terão aumento na inflação de mais de meio ponto percentual, visto que é uma região importadora de gás.
China, Índia e Coreia do Sul ainda sofrem com a demanda de petróleo, visto que são grandes importadores do Golfo, sem fortes produções nacionais ou alternativas. Por sua vez, o Canadá será o país com menor impacto.
O que é o Estreito de Ormuz?
Em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã, iniciado em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz é uma das regiões mais afetadas pelos ataques.
Dados de navegação mostrados pelo O Brasilianista mostram que pelo menos 150 navios-tanque, incluindo petroleiros e transportadores de gás natural liquefeito, estão ancorados em águas abertas do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz.
O local é a principal rota de exportação do mundo. O Estreito de Ortiz conecta os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico.
Por isso, seu bloqueio é de extrema preocupação para os países que comercializam com essas regiões, especialmente conhecidas pela produção de commodities, como petróleo e gás natural — os combustíveis fósseis de maior demanda.
Segundo o National Geographic, o Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.
São, no total, oito ilhas principais, sendo que sete delas são controladas pelo Irã. O país mantém forte presença militar na região desde a década de 1970 e, portanto, é um dos principais balizadores do preço do petróleo.
Por sua vez, a costa sul da região é controlada pelo Omã. Ainda assim, os Emirados Árabes Unidos tentam reivindicar soberania de algumas ilhas há anos.
Vale ressaltar que não existem rotas alternativas com a mesma capacidade de escoamento imediato, o que reforça a necessidade de paz na região.
Fechamento do Estreito é prejudicial para a economia do mundo todo
O Estreito de Ormuz é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!.
Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.
Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.

