A União Europeia (UE) vai retomar o processo de ratificação do acordo comercial com os Estados Unidos (EUA), que estava paralisado há meses. O objetivo é levar o entendimento entre o bloco e a maior economia mundial para a aprovação final, detalha a Bloomberg.
A decisão foi retomada nesta terça-feira (17) pelos membros do Parlamento Europeu responsáveis pelo processo, mesmo após os EUA abrirem novas investigações sobre práticas comerciais dos 27 países que podem resultar em tarifas adicionais.
Os legisladores europeus decidiram avançar com a votação desde que Washington cumpra os termos do acordo assinado no verão do ano passado, incluindo um limite máximo de 15% para as tarifas sobre a maioria das exportações da UE.
Nos últimos meses, a UE vinha adiando a aprovação do acordo, citando ameaças do presidente Donald Trump de adquirir a Groenlândia e a incerteza gerada após o Supremo Tribunal dos EUA invalidar as tarifas recíprocas impostas em abril.
As propostas ainda precisam ser aprovadas pelo Parlamento e pelos governos da UE.
15% congelado
No inicio de março, o Parlamento Europeu decidiu manter a ratificação do acordo comercial com os Estados Unidos suspensa, após a Suprema Corte americana invalidar as tarifas globais do governo Trump. Os eurodeputados exigiam mais garantias de Washington sobre o cumprimento do limite de 15% para a maioria dos produtos europeus, estipulado no acordo assinado no verão passado.
A Comissão Europeia e líderes, como o chanceler alemão Friedrich Merz, pressionaram pela aprovação rápida, argumentando que isso ajudaria a evitar novas tensões comerciais. Desde a decisão da Suprema Corte, o governo Trump impôs tarifas temporárias de 10% e conduz investigações comerciais para definir taxas permanentes, aumentando a incerteza sobre o cumprimento do pacto.
A relação transatlântica também enfrenta turbulências externas. Trump ameaçou cortar o comércio com a Espanha devido à recusa do país em permitir o uso de bases militares para ataques ao Irã, reforçando preocupações sobre a estabilidade do bloco e seu papel como maior parceiro comercial dos EUA, responsável por 20% das importações norte-americanas.
Mais detalhes do acordo
O Jornal de Negócios aponta que o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos (EUA) estabelece regras para a redução e limitação de tarifas. Segundo as informações, o entendimento prevê um limite máximo de 15% para a maioria das exportações da UE.
O Parlamento Europeu debate propostas que incluem a remoção de taxas de importação sobre produtos industriais dos EUA e maior acesso a produtos agrícolas norte-americanos, componentes centrais do acordo fechado na Escócia em julho do ano passado.
Além disso, mantém-se a tarifa zero para lagostas dos EUA, inicialmente acordada com o presidente Donald Trump em 2020.
Para garantir o cumprimento do acordo, os parlamentares europeus acrescentaram uma “cláusula de ativação”, que condiciona as reduções das tarifas de importação da UE ao respeito pelos compromissos de Washington. O acordo prevê que a aprovação final dependerá da votação do Parlamento Europeu e dos governos da UE, que ainda precisarão negociar um texto comum antes da implementação das medidas.

