Nesta quarta-feira (18), o Irã emitiu um alerta tornando cinco instalações de processamento de petróleo e gás no Catar, na Arábia Saudita, e nos Emirados Árabes Unidos alvo de ataques nas próximas horas, pedindo a evacuação das áreas.
Segundo a Agência Brasil, o movimento decorre dos ataques que o Irã sofreu a infraestruturas energéticas do país em meio ao conflito com os Estados Unidos, nas instalações da indústria petrolífera iraniana em South Pars. A área é considerado o maior campo de gás natural do mundo.
Porém, caso o ataque se confirme, os danos às estruturas energéticas desses países do Oriente Médio podem piorar a crise global.
“Esses locais agora são alvos legítimos e podem ser atingidos nas próximas horas, instando os moradores locais a se deslocarem imediatamente para locais seguros”, afirma o comunicado da Guarda Revolucionária Islâmica divulgada no veículo de mídia estatal do país.
Estão na mira do Irã a refinaria Samref e o complexo petroquímico Al-Jubail, na Arábia Saudita; o campo de gás Al-Hosn, nos Emirados Árabes; bem como o complexo petroquímico Al-Mesaieed e a refinaria de Ras Laffan, no Catar. A Guarda ainda alerta para que as pessoas se afastem de “qualquer infraestrutura petrolífera associada aos Estados Unidos”.
O que pode acontecer com a crise energética?
Uma fonte militar disse à mídia estatal Fars News, do Irã, que os mercados de energia devem sentir mais um choque, comprometendo a estabilidade dos regimes que “apoiam o inimigo na região”.
O petróleo já está em sequência de altas desde o início do conflito, atingindo valores acima de US$ 108 pelo barril do Brent.
Caso os ataques do Irã realmente aconteçam, a crise energética pode se complicar ainda mais, trazendo aumento dos combustíveis e uma cadeia de produtos derivados do petróleo.
Ainda segundo a Agência Brasil, a Arábia Saudita realiza na noite desta quarta uma reunião com países árabes e islâmicos para discutir a escalada da guerra na região. O objetivo dessa conversa seria aprimorar a consulta e a coordenação sobre formas de apoiar a segurança e a estabilidade regional.
O que é o Estreito de Ormuz e como seu bloqueio afeta a demanda de petróleo?
O Estreito de Ormuz é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!.
Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.
Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.
Em meio ao bloqueio do Estreito e ataques a territórios iranianos, foi criado um vácuo de poder e elevou o risco de um conflito prolongado no Oriente Médio, afetando não apenas bolsas internacionais, mas também a percepção sobre o real e investimentos no Brasil.

